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Opinião

AT� QUANDO VAI DOER ESSE � DO BOROGOD�?

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A expressão é antiga e nas minhas pesquisas não cheguei a uma conclusão quanto a sua verdadeira origem. Não fica claro se é apenas mais uma dessas lambanças criadas pela fértil imaginação do nordestino ou apenas um conjunto de sílabas que alguém pronunciou um dia em algum lugar e acabou virando gíria. Ter ?borogodó? é expressão de brilho, ser atraente, charmoso, possuir luz própria. Uma pessoa feia, feiona mesmo, pode ser encantadora por gestos e atitudes que cativa, esbanja simpatia. Isto é ter ?borogodó?! Quem viu os shows do Sargentelli na Boate Oba-Oba no Rio, lembra o quanto ele fazia apologia às suas mulatas dizendo que elas tinham ?borogodó? ? E como tinham! O problema é o famigerado ?ó?! Quando antecede, muda completamente o bom sentido da palavra. O ?ó?, é o lado mau caráter do ?borogodó?. O ?ó?, é o chato, inconveniente, desagregador. É aquela linha de frente composta por Lindbergh Farias, Gleisi Hoffmann e Vanessa Grazziotin que ajudou a fechar o caixão da Dilma. Quem é ?ó?, não é ?borogodó?. O PT não tem ?borogodó?. A Olimpíada no Brasil foi vista aos olhos do mundo como cheia de ?borogodó? pela apoteose dos espetáculos de abertura e encerramento e o desempenho das competições em alto nível. Nível que não se eleva para melhor na temperatura da política brasileira que caminha na contramão do clamor das ruas. Prevalece a tentativa de obstrução dos avanços conquistados pela Lava Jato. Incomodam demais para uns tantos os despachos incontestáveis do juiz Sérgio Moro passando a limpo a gatunagem secular nos bastidores do Poder. Os inquestionáveis pedidos de prisão desafiam as melhores bancas, os mais renomados advogados do País que não encontram brecha para abrir as grades e libertar tubarões contratantes dos seus competentes serviços milionários. O ?ó do borogodó? vai ganhando proporções antes inimagináveis. Os baixos adjetivos proferidos por um ilustre ministro do Tribunal Superior nos deixam alerta para o piscar de uma luz vermelha com evidentes objetivos de desmoralizar a própria Justiça. ?O cemitério está cheio desses heróis?, sinaliza reação destemperada com meandros de ameaça, atitude estranhamente imprópria para ser dita publicamente por uma autoridade de tamanho naipe. ?É preciso colocar freios...? Freios no combate à maldita corrupção? Isso é abuso de autoridade? Expor as entranhas do crime do colarinho branco, punir fichas sujas, malfeitores do dinheiro público, é lei escrita por ?bêbados?? Melhor imaginarmos que seja uma manifestação sórdida de arrogância e vaidade. No embate defesa e acusação, já nos estertores do julgamento do impeachment, excelências no Senado fazem show à parte, vezes cômico, ora dramático, uma panelada de pura demagogia com sabor indigesto, difícil de engolir. O ?ó do borogodó? pega fogo no terreiro tupiniquim, enquanto dói a alma, o coração e o bolso da sacaneada gente brasileira.

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