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Opinião

AS SETE MARIAS E EU

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Vai longe o tempo. Como todas as coisas que circundam a nossa vida, tudo passa com manhas e artimanhas, de forma a nos deixar esperançosos ou indiferentes. Enquanto os meios de comunicação se apegam a assuntos diversos, empolgantes ou monótonos, alguns encontram alívio exaltando lembranças, planejando sonhos, priorizando as obras imensuráveis e perfeitas do Criador. Hoje, falo das sete Marias que viveram no mesmo lar em que vivi: Zenaide e Zenete (?in memoriam?), Zuleide, Zolma, Zilma ,Zelma, Zaide e eu, Zélia, a única que não teve o nome Maria anexado ao seu. A princípio, muito questionei por não haver recebido o prenome Maria, até mamãe revelar o verdadeiro motivo por que tomara tamanha decisão. Sempre foi voltada para a Igreja Católica e, havia lido, quando solteira, a vida de Zélia Pedreira Abreu Magalhães. Relatava, em linguagem simples, a trajetória daquela jovem que, ao perder seu esposo, ingressou no convento, tornando-se Irmã Maria do Santíssimo Sacramento. Dos treze filhos que tivera, quatro faleceram ainda pequenos, e nove se consagraram à vida religiosa tornando-se padres, frades e freiras. Prometera a si mesma que, se um dia casasse a sua primeira filha, herdaria este nome: Zélia. Assim, fui admitindo aquela exclusão e me empolgando com a verdadeira narrativa, repetida tantas vezes, caso as minhas reclamações se fizessem ouvir. A vida de Zélia Pedreira encontra-se gravada em dois volumes: um, a sua biografia e, outro, as cartas enviadas por seus filhos de conventos para conventos. Na revista Família Cristã, de julho de 2014, exatamente na página 64, podemos ler o resumo da passagem de Zélia, aqui na terra, e constatar o legado que nos deixou. Na Igreja Nossa Senhora da Conceição, na Gávea, Rio de Janeiro, encontram-se os restos mortais e fotos dela e do seu esposo, Jerônimo. Foram exemplos de caridade, pai e mãe amorosos e piedosos. Por essas inegáveis virtudes, poderão tornar-se o primeiro casal brasileiro a serem beatificados. Obrigada, mamãe, por tão significativo gesto, somente compreendido quando me tornei adulta e pesquisei o verdadeiro motivo da sua decisão! Quisera eu, minha inesquecível mãe, poder honrar a minha denominação de batismo e compreender que a Mãe de Jesus vive ao nosso lado, quer possuamos o seu nome ou não. Hoje, não questionarei jamais a atitude de minha genitora, ao me voltar para os relatos reais que circundaram a existência daquela mulher caridosa, exemplo de amor, fé, esposa e mãe. As minhas sete irmãs que receberam o nome Maria em seus registros de nascimento, não te decepcionaram,minha mãe, nem o farão jamais, pois são exemplos de bondade, decência e incalculáveis virtudes, merecedoras do meu carinho e admiração!

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