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Opinião

Cen�rio sombrio

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Números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua, divulgados ontem pelo IBGE, mostram que o mercado de trabalho do Brasil vive um ?circulo vicioso?, com perda do poder de compra, queda da população ocupada, do trabalho com carteira assinada e em uma situação de estagnação, na qual nem mesmo o mercado informal consegue mais absorver os trabalhadores que perderam emprego. No trimestre encerrado em julho, a taxa de desocupação chegou a 11,6%, a maior da série histórica iniciada em 2012. Em números absolutos, são 11,6 milhões de desempregados. Para analistas, o País se encontra num processo recessivo que parece não querer dar tréguas. Era esperado que a taxa de desocupação apresentasse uma pequena queda ou que permanecesse estável, mas não foi o que aconteceu. O número de trabalhadores com carteira assinada continua caindo e até mesmo o mercado informal já não é capaz de absorver o trabalhador que perde seu emprego. A consequência disso é a redução que agora aparece na população ocupada. É um cenário desolador se pensarmos no que aconteceu no País a partir de 2004. Por quase uma década, beneficiado pelos bons ventos da economia internacional, o Brasil adotou uma estratégia econômica de crescimento, com geração de empregos, aumento dos salários e dos investimentos. Nesse período, milhões de pessoas ascenderam socialmente e foram incorporadas ao mercado consumidor. O consumo explodiu. Em 2014, entretanto, o País começou a experimentar uma brusca desaceleração econômica e, no ano seguinte, o PIB registrou queda de 3,8%. Este ano, a situação continua se agravando, em velocidade e intensidade maior. Além do cenário externo menos favorável, a situação brasileira torna mais difícil devido a uma crise fiscal. O governo tenta cortar despesas para equilibrar as contas públicas, afetadas por gastos elevados e também pela queda na arrecadação tributária causada pela recessão. Paralelamente, o Brasil vive uma crise política que impacta a economia. Mesmo com o desfecho do impeachment, nada garante que o governo navegará em águas tranquilas daqui para frente. Até a retomada do crescimento e a recuperação da queda do PIB, será necessário um bom tempo ainda.

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