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Opinião

Sobre dinheiro e pessoas

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O jornal O Estado de São Paulo registrou nosso desabafo depois da sessão tensa na Câmara dos Deputados na madrugada de terça-feira: ?é mais importante o dinheiro ou as pessoas do País??. Enquanto os olhos da Nação se voltavam para o Senado da República, onde o destino de Dilma Roussef era decidido, o governo Temer apresentou ao Parlamento sua primeira medida provisória, uma reforma administrativa que atinge diretamente setores essenciais para a democracia. De uma só vez, a medida extingue as pastas dedicadas aos Direitos Humanos, Igualdade Racial e Mulheres. A pretensão era acabar também com o Ministério da Cultura, mas forte reação contrária provocou o recuo. A justificativa para a medida provisória seria corte nos gastos, mas a economia é mínima diante da perspectiva de deixarmos áreas frágeis à mercê da própria sorte. É como se tivéssemos voltado tempo e referendado o preconceito, a tortura e a misoginia. A reforma ainda contempla outros setores como portos, aeroportos e o desenvolvimento agrário. Mas antes da medida que desabou sobre a Câmara, o governo já tinha acionado a máquina ceifadora e a dirigido para a Educação, afetando diretamente o Estado de Alagoas. Foram suspensos novos cadastros para o Brasil Alfabetizado, programa criado por Lula em 2003 para combater o analfabetismo ? 13 milhões de pessoas vão continuar sem saber ler e escrever. Nosso Estado é líder, de cada 100 pessoas com 15 anos ou mais, 22 são analfabetas. O programa vinha reduzindo esse déficit, mas agora os gestores da Educação em Alagoas acham que haver um retrocesso, será difícil motivar as pessoas. O que surpreende é que o programa vinha sendo elogiado por especialistas, uma referência, exatamente por ter reduzido a taxa de analfabetismo de 12,4% da população em 2002, para 8,3% em 2014. Por que então suspendê-lo? Apenas para economizar uns trocados às custas da ignorância do povo pobre? Não há, ainda, respostas sensatas para tais indagações. Na semana passada abordamos aqui o avanço registrado com o aumento no número de estudantes das classes D e E cursando universidades, o que foi possível com o programa de interiorização do ensino superior adotado desde 2010. Alertamos que o governo iria promover cortes no orçamento para a Educação em 2017, mas subestimamos a celeridade desses cortes. Fizemos um pronunciamento no plenário da Câmara sobre o assunto, está nas redes sociais. As manifestações de apoio foram muitas, o que nos motiva a continuar fazendo o que é justo e certo, a pensar mais nas pessoas, são elas que importam.

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