Opinião
DOS CORRUPTORES
Não é estranho ouvir dizer que ?todo homem tem seu preço?. É um desafio que o povo brasileiro costuma jogar para o alto, como quem atira uma rede de pesca. Honestidade deixou de ser virtude e se tornou sinônimo de idiotice. Uma vez vi um sujeito criticando o Dr. José Maria David de Azevedo, porque ele tinha sido Secretário da Fazenda, Secretário do Gabinete Civil, Presidente da Ceal e outros cargos, continuava a morar numa casa inacabada, na Ponta Verde e andava num carro velho. ?Esse cara só pode ser honesto?. E assim expressou seu desprezo. Mas o que nos faz refletir sobre o paradigma da honestidade como um sintoma de burrice, nessa dialética da corrupção generalizada, são os corruptores. O Brasil tem amargado o desprazer de ver seus maiores empresários, as maiores fortunas, o respeito e a dignidade de anos de trabalhos ruírem como um muro podre. Empresas que até poucos anos patrocinavam projetos culturais e ações sociais a nível nacional, hoje seus dirigentes são tratados publicamente como bandidos. Pior, com a delação premiada, os pecados de cada e dos envolvidos terminam indo a público. Os corruptores acreditam que todo homem tem seu preço. E, muitas vezes é o preço de se fazer negócio com o governo. Se não pagar não sai. Tem gente pagando mais. Quem dá mais? Por que ninguém apregoa aos quatro ventos a propina que lhe é cobrada na hora? Porque se ele não pagar vem outro e paga e a sua empresa fica de fora. Nunca houve, não há e nem nunca haverá nesse país, empresários que se unam para dizer não. E não é porque não existam homens de bem. É porque essa aliança é muito difícil de ser posta em prática. Muitos têm medo de falir. E por esse medo estão quebrados. É pura ganância! Pior ainda, quem aceita esse jogo não só é corrupto como corruptor, porque pagou para obter vantagem. Mas se o leitor pensa que o corruptor está apenas nas altas esferas, está enganado. Quantas vezes você mesmo que está lendo esse texto, pediu para o seu pedreiro conseguir, na obra em que trabalha, um pouco de cimento e areia para um serviço em sua casa? Coisa pequena. Só para não ter que sair de casa. Se nunca fez isso, ótimo. Mas não é motivo de louvor. Porque honestidade é uma obrigação, não uma exceção. O fato lamentável é ter consciência de que não se cometeu dolo algum. Mas, se roubo pequeno não fosse crime, ladrão de galinha seria uma profissão. Culturalmente, é comum se pensar que vendas ao governo precedem de propina. E isto não é de hoje.