Opinião
Cole��o de reveses
Uma coisa tem de ser reconhecida com todas as letras: o Brasil está perdendo a guerra contra o crime organizado. Os acontecimentos que aterrorizaram o Rio de Janeiro não são fortuitos, nem constituem fenômeno inesperado. Há décadas as organizações criminosas se sofisticam e avançam cada vez mais na afirmação de seu poder. Urge um verdadeiro plano nacional de segurança pública. Arremedos de ?planos? têm sido divulgados e alguns ensaiam primeiros passos, mas nada de inovador foi tentado até agora. A participação das Forças Armadas foi uma dessas tentativas equivocadas que só acrescentaram desgastes ao Estado. A primeira questão a ser encarada num plano verdadeiro de segurança pública é essa constatação de que se está perdendo a guerra. E perdendo feio. Nos últimos tempos, os comandantes do crime dirigem seus empreendimentos a partir das prisões. A principal insegurança que paira sobre esses criminosos é a própria disputa interna, capaz de fazer desaparecer facções inteiras depois de rápidos ?motins? nos presídios. Depois da terrível demonstração de força dada contra o povo do Rio de Janeiro, quando durante três dias o crime organizado provou sua força, o desespero e despreparo dos governantes se fez notar no jogo de empurra onde o ?Ditador do Crime? deixou de ter cadeia fixa. O Rio não quer Beira-Mar, São Paulo muito menos (daqui a pouco vão querer despachar o celerado para Alagoas) ? mas quem o quer? O problema não é um indivíduo, a questão principal é a sobrevivência, o fortalecimento e a irradiação da liderança criminosa a partir de suas celas. Os presídios transformaram-se em Quartéis de Comando seguros para a pior bandidagem. As cadeias onde se abrigam essas lideranças do mal transformam-se em centros de força centrífuga das falanges criminosas. De nada adianta brigar para não ter Beira-Mar em seu quintal. Eliminar o poder exacerbado do crime organizado é o desafio. Que pode ser vencido se, além das normas do FMI, o Brasil tiver a coragem de investir o necessário para ganhar essa guerra.