Opinião
O PARTIDO DA JOVEM GUARDA
Charles Chaplin disse no seu tempo que ?a vida é uma peça de teatro que não permite ensaios... Por isso, cante, ria, dance, chore e viva intensamente cada momento, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos?. Por isso, ao relembrar a alegria do gênio, resolvi sacudir a poeira e deixar me seduzir pela provocação do Partido da Jovem Guarda. Depois de uma semana tensa, olhos fixos nas páginas políticas dos jornais e nos noticiários da TV, nada poderia ser mais agradável, relaxante que voltar ao interior, à minha terra natal, Jaciobá, espelho da lua, a bela Pão de Açúcar, para um impagável reencontro com os meninos e meninas dos anos 60/70, tanto tempo depois. Para entender as aberrações que vimos e ouvimos nesses últimos dias, inclusive a esdrúxula aliança para servir a Deus e ao diabo, o tal ?fatiamento? para livrar a senhora Dilma da forca, só um final de semana assim, feliz. Abraçando amigos e amigas da infância e escola, rasgando gargalhadas, saboreando Pitú na beira do rio com aquela suadíssima loirinha e tendo à frente a imagem abençoada do Morro do Cavalete que acolhe o esplendor do Cristo Redentor. Como falou Chaplin, vivi uma peça de teatro sem ensaios. Não chorei, mas ri, cantei, dancei no baile ?Aonde está você? e senti um imenso calor humano. Renovei o meu sentimento do quanto é bom preservar no coração, mesmo com a distância e o tempo que corre veloz, pessoas que nos elevam e fazem um bem danado para a autoestima da gente. Gente que vimos crianças, alguns aparentemente tão frágeis, mas que a vida os transformou em leões e leoas, guerreiros e guerreiras, valentes, fortes suficientes para vencer os maiores desafios como doença aparentemente incurável. Sim, nada é perfeito. Nem tudo reflete os anseios dos que sofrem ali mesmo, naquele lugar tão bonito, tão privilegiado pelos pincéis da natureza, mas contrastantemente esquecido pelo poder público e escassa oportunidade de trabalho. São muitos os jovens que migram para outros centros em busca de evoluir nos estudos na incansável luta cotidiana pela sobrevivência. O reencontro anual do Partido da Jovem Guarda, nome simpaticamente criado pelo líder, Wolney Amaral, é cheio de boas emoções, abraços sinceros, grandes recordações de vovôs e vovós que um dia foram crianças correndo, brincando e revelando eternas paixões testemunhadas pelas árvores centenárias daquelas praças. Gente amável, acolhedora como a simpatia brejeira das nove filhas de José Monte, de saudosa memória, e D. Maria, meus padrinhos de batismo. Gente bonita de largo sorriso, alma pura. Como é bom voltar às origens na terrinha da gente!