Opinião
Educar para transformar
Nos últimos anos, o Brasil conseguiu significativos avanços na educação, principalmente no que diz respeito à universalização do ensino. Entretanto, o País ainda está longe de associar quantidade à qualidade. Professores mal remunerados e com baixa formação, escolas malconservadas e sem estrutura são algumas das deficiências encontradas em parte da rede pública de ensino, principalmente nas regiões mais pobres. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) faz outro alerta: o Brasil precisa mudar a maneira como a educação é pensada. Atualmente, foca-se em determinados conteúdos, no Enem, e os currículos são pautados apenas pelos livros didáticos. A educação não é vista como um instrumento capaz de fomentar os tipos certos de habilidades, atitudes e comportamentos que levarão ao conhecimento sustentável e inclusivo. Para a Unesco, a educação deve ser baseada em quatro pilares: aprender a conhecer, a fazer, a ser e a viver juntos. Só assim as pessoas podem ganhar autonomia, aprender e se desenvolver. Além disso,é preciso que haja liberdade. Relatório da entidade indica que o acesso amplo e igualitário à educação de boa qualidade ajuda a manter práticas e instituições democráticas. O documento vai monitorar o objetivo global de educação da Agenda de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Essa agenda traz a relação a ser alcançada para o desenvolvimento sustentável, a preservação do planeta e a qualidade de vida das pessoas, e coloca a educação como carro-chefe para alcançar todos os outros objetivos. De fato, como observa a Unesco, para que os países prosperem, é fundamental que haja investimento no ensino médio e superior de qualidade, pois a educação deve acompanhar a rápida mudança do mundo do trabalho. A tecnologia aumentou a demanda por trabalhadores qualificados e diminuiu a demanda por trabalhos de habilidades intermediárias. Entretanto, o relatório aponta que a maioria dos sistemas educacionais não acompanha a demanda do mercado e, até 2020, o mundo poderá ter um deficit de trabalhadores com ensino superior e excesso de trabalhadores com níveis educacionais mais básicos. É uma realidade que já está diante de nós e precisa ser transformada.