Opinião
JOGOS DA INDEPEND�NCIA
Numa feliz coincidência, os Jogos Paralímpicos Rio 2016 foram abertos ontem, 7 de setembro, data da Independência do Brasil. A liberdade sem dependência é o que buscam 4350 atletas de 176 países que competem em 22 modalidades esportivas, portadores de necessidades especiais em vários níveis que longe de incapacita-los, os levam a ir mais longe, superar limites, atingir a glória. Os jogos surgiram em Roma, em 1960. A origem está na Inglaterra, onde competições esportivas ocorriam como forma de estimular soldados feridos na guerra. Em 1992, em Barcelona, os comitês olímpicos trabalharam juntos e a partir daí a estrutura se consolidou até atingir o sucesso dos dias atuais. Alagoas tem um atleta de ponta no Rio. Trata-se do corredor Yohansson Nascimento, medalha de ouro em Londres, em 2012, nos 200m rasos. Sem as mãos, era de se imaginar que ele teria uma vida limitada, mas aos 17 anos se descobriu atleta: ?eu já nasci um paratleta?, disse. Vindo de família humilde, Yohasson sofreu um duro golpe este ano, seu irmão foi assassinado a tiros no bairro Jacintinho, onde a família mora. Sua história é exemplo de como o esporte pode mudar vidas e abrir novos horizontes. Não apenas para pessoas especiais, mas para qualquer jovem que tenta sobreviver num ambiente adverso ? escrevi aqui certa feita, precisamos de mais escolas, menos prisões. Convivi parte da minha vida com um parente portador de necessidades especiais. Tenho ideia do esforço diário dessas pessoas para superar limites e realizar sonhos. Não se trata de fazer por elas, mas oferecer as condições para que elas mesmas cheguem aonde querem chegar. Quando governei Alagoas realizei concursos públicos dentro dos padrões éticos que a sociedade exigia e fiz questão de garantir cotas para os portadores de necessidades especiais, algo já previsto em lei, mas pouco aplicado. Não foi protecionismo, e sim a busca da isonomia que por vezes lhes é negada. A frase ?o importante é competir? nunca foi tão apropriada. Talvez os estádios e ginásios não fiquem tão lotados como nos Jogos Olímpicos, mas foram vendidos mais de 1,5 milhão de ingressos, o que significa que a torcida vai estar presente, incentivando os paratletas. Vamos fazer nossa parte e torcer não apenas por Yohansson, mas também Marivana Oliveira, que compete no dardo e arremesso de disco, e por Jonathan Santos, conhecido como ?Romarinho?, também no arremesso de disco. Estamos com eles, competindo e sonhando.