Opinião
As pequenas v�timas
Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, mostram que pelo menos 50 milhões de crianças vivem ?deslocadas? no mundo após abandonarem seus lares em consequência de guerras, violência e perseguições. No final de 2015, 31 milhões de crianças viviam refugiadas no exterior e 17 milhões estavam deslocadas em seus próprios países. O Unicef calcula que 28 milhões foram expulsas de suas casas por conflitos e têm uma necessidade urgente de ajuda humanitária e de acesso aos serviços essenciais. Outros 20 milhões de crianças deixaram suas casas devido à extrema pobreza ou diante da violência de grupos criminosos. Muitos correm o risco de serem maltratados ou detidos, diante da falta de documentos ou de um estatuto jurídico preciso. A agência da ONU exige ações concretas dos governos para ampliar a proteção infantil. Entre as medidas exigidas, estão acabar com a detenção de menores migrantes, manter as famílias unidas para eles sejam protegidos e garantir o acesso à educação. Do total de crianças refugiadas no mundo, 45% são da Síria e Afeganistão, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. As crianças são as vítimas mais frágeis do grande êxodo do século XXI. Nas últimas décadas, acentuaram-se os conflitos internos, a guerra e o enfraquecimento de lideranças no Oriente Médio e no Norte da África. O resultado foi o avanço de grupos extremistas como o Estado Islâmico, a guerra civil e autoritarismo, com pessoas sendo obrigadas a deixar tudo o que têm para trás para lutar pela própria vida. A situação de vulnerabilidade se reflete em famílias fugindo da guerra, sobreviventes de tortura, crianças e adolescentes sozinhos, mulheres e crianças em risco e pessoas perseguidas por diversos fatores. Milhões de refugiados vivem hoje em condições precárias em campos turcos, libaneses e jordanianos, onde dependem da ajuda humanitária cada vez mais escassa. Por isso, não veem alternativa senão arriscar a vida por uma oportunidade em países mais desenvolvidos, principalmente a Europa. Acolher esse contingente de desvalidos é uma questão humanitária, mas é preciso que se busque uma solução definitiva, que passa pelo fim dos conflitos e pela reconstrução dos países envolvidos, para que ninguém se veja obrigado a deixar sua terra.