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Opinião

Ensino reprovado

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Dados divulgados ontem pelo Ministério da Educação mostram que a meta do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) estabelecida para 2015 foi cumprida apenas nos anos iniciais do ensino fundamental, etapa que vai do 1º ao 5º ano do ensino fundamental. O ensino médio tem a situação mais crítica, com o índice estagnado desde 2011. O Ideb é um indicador de qualidade dos ensinos fundamental e médio. O índice avalia a qualidade do ensino no País, com base em dados sobre aprovação e desempenho escolar obtidos por meio de avaliações do MEC. Desde a criação do indicador, foram estabelecidas metas que devem ser atingidas a cada dois anos por escolas, prefeituras e governos estaduais. Nos anos iniciais do ensino fundamental, a meta é cumprida desde 2005, quando o índice começou a ser calculado. Para 2015, a meta estipulada é de 5,2. A etapa alcançou 5,5. Nos anos finais do ensino fundamental, do 6º ao 9º ano, a meta foi descumprida pela primeira vez em 2013. Em 2015, o índice esperado de 4,7 também não foi alcançado. A etapa registrou um Ideb de 4,5. No ensino médio, a meta não apenas não é alcançada desde 2013, como está estagnada em 3,7 desde 2011. Especialistas avaliam que não houve um amplo esforço para mudar as bases do ensino médio, que na prática se revela uma etapa mal planejada. Os alunos têm 13 disciplinas espremidas em 4 horas de aula. Na prática, entretanto, a jornada de estudos se resume a duas horas e meia em média. Os alunos seguem todos o mesmo roteiro, independentemente de suas aptidões e interesses. Enquanto isso, há países em que o aluno tem mais liberdade para escolher as matérias; noutros, pode optar entre tipos de escola diferentes, das mais acadêmicas às mais técnicas. Além da reformulação necessária do ensino médio, é fundamental investir na formação de professores, que deve ser continuada. A dificuldade do ensino básico começa nos anos finais do ensino fundamental, quando os estudantes começam a ter aulas com diversos professores e muitos deles não são formados nas áreas que lecionam. Os resultados do Ideb mostram que, pelo menos em relação ao ensino médio, o que se vê é muita matéria e pouco aprendizado, uma realidade que precisa mudar urgentemente.

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