Opinião
BRAVAS SENTEN�AS ITALIANAS
Em décadas passadas, a nossa Maceió provinciana serviu de cenário para uma legendária presença de italianos que, ao longo do tempo, deixaram vários descendentes e um repertório de histórias e amáveis lembranças. Ainda jovem, testemunhei marcantes narrativas, das quais, destaco um lendário episódio sobre a vida de Michellangelo, célebre arquiteto, pintor, escultor e poeta italiano, considerado inigualável na expressão artística de suas obras e concepções. A empolgação dada à narrativa permanece em meu espírito: ao concluir os trabalhos da estátua de mármore, representando a figura histórica de Moisés, o famoso escultor Michellangelo, diante da perfeição do resultado colhido, teria batido com o martelo na estátua e gritado com grande emoção: Parla! parla! No amável ambiente dos italianos reinavam palavras e gestos largos. Havia o gosto pelas longas conversas, num clima de confraternização, vinhos e calorosos brindes. Uma atenção ao ser humano, ao valor do diálogo e das boas companhias. Gostavam de repetir, com alma florentina, ?o tempo que se passa na mesa, não seria computado na vida?. Assim, quanto mais tempo se passar na mesa das refeições, mais longa seria a existência. Um compromisso com a arte de viver, de apreciar o sabor das comidas e de cultivar as eternas amizades. Encantados com as recordações e as saudades de sua pátria de origem, lembravam a expressão ?ver Veneza e depois morrer, ?Uma grata referência à suprema realização de se conhecer a bela cidade do nordeste da Itália, tida como a ?Rainha do Adriático?, antigo centro político, de expressão marítima e comercial. Famosa pelas sua geografia original, de águas, canais e pontes românticas, suas artes e suas histórias de amor. Berço da música sinfônica e da ópera. Terra de nascimento do imortal compositor e músico Antonio Vivaldi, conhecido autor das quatro peças para violinos e orquestras, ?As Quatro Estações?. Levei para o resto da existência a herança amável de encarar os fatos, de apreciar a beleza, de procurar perdoar ao próximo, de me deter com humildade diante dos acontecimentos. De nunca perder a esperança e a fé, de esperar, a exemplo da prece de Michelangelo, a asa veloz que possa conduzir um dia minha pobre alma à presença luminosa e eterna de Deus .