Opinião
ALAGOAS, 199 ANOS
Há cerca de dois anos, escrevi sobre a importância de o governo de Alagoas se constituir no indutor de uma grande mobilização social, com vista à passagem dos duzentos anos de independência do Estado de Alagoas em relação a Pernambuco. Na ocasião, sugeri ao governador Renan Filho que instituísse um grupo gestor multisetorial de trabalho, para pensar e elaborar um circunstanciado calendário de atividades alusivo à efeméride. Hoje, ao celebrar o 199º aniversário de Alagoas, registro, com satisfação, o fato de o Chefe do Executivo ter tomado duas importantes iniciativas: primeira, a de instituir comissão mista especial para coordenar as ações alusivas ao bicentenário da emancipação política alagoana; segunda, a de lançar um fórum aberto à participação dos mais diversos segmentos da sociedade, com vista à construção de vasto calendário de eventos multissetoriais. Quando apresentei a sugestão, Alagoas estava entrando na metade da segunda década do século, e com indicadores sociais adversos em relação aos outros 26 entes federados. Os dados, obtidos e divulgados pela Biblioteca do Senado Federal, integram estudo da consultoria de gestão Macroplan. Se o cenário estadual de dois anos atrás já concluía sobre a necessidade de os gestores reinventarem a governança, avalie com a entrada em cena da grave crise econômica nacional. Daí o entendimento de que uma ampla programação referente ao bicentenário da nossa terra poderá se converter em oportunidades. A mobilização dos mais variados setores da inteligência alagoana, além da Universidade e do Instituto Histórico e Geográfico do Estado, vai certamente gerar atividades de interesse público em múltiplos campos. É a força do próprio organismo social gerando meios para superar as dificuldades. Vale ressaltar, a história de Alagoas registra momentos de muita luta e superação, desde a época da senzala, do feitor e da cana-de-açúcar esbagaçada nos velhos banguês. Para refletir acerca dos mitos de Calabar e Nassau, a presença holandesa, ou a ?sociedade dos esquecidos?, como os negros, os índios, as mulheres e os judeus, recomendo um olhar na obra dos professores Douglas Apratto e Carmen Lúcia Dantas, como ?Caminhos do Açúcar: engenhos e casas-grandes das Alagoas?, publicada pelo Senado Federal. Do passado para o presente, o olhar reflexivo para compreender e construir o futuro.