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Opinião

Pelo fim da degrada��o

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O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) aprovou ontem o novo Plano de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco. O documento, que tem validade por dez anos, estima em R$ 30 bilhões os investimentos necessários para sua revitalização e apresenta uma série de informações e apontamentos para a gestão da bacia. São seis eixos e 22 metas de ação. Homenageado em prosa e verso, e mais recentemente ?personagem? de novela, o ?Velho Chico? é um dos mais importantes rios do Brasil, cortando cinco estados, num percurso de quase 3 mil quilômetros. É considerado um dos principais fatores de desenvolvimento da região Nordeste, devido à sua importância para a agricultura, abastecimento e geração de energia. Entretanto, nas últimas décadas, suas águas vêm sofrendo um intenso processo de degradação, principalmente pela ação do homem. São os esgotos lançados em seu leito e o desmatamento constante de suas matas ciliares. Há também há a questão da seca, que afeta sua vazão. A situação atual é calamitosa, pois já são quatro anos de estiagem. Os reservatórios estão numa situação crítica. O Comitê atenta para a necessidade de diversificação da matriz energética, para reduzir a demanda sobre o rio. O São Francisco tem de atender de forma crescente a outros usos como irrigação, navegação, turismo e pesca e ainda tem a missão de garantir o abastecimento humano não só pro norte de Minas Gerais, como também para todo o Nordeste, onde ele representa nada menos que 70% de disponibilidade hídrica da região. Para a entidade, o Velho Chico pode continuar gerando energia, mas dentro de uma lógica que não prejudique seus demais usos. O plano propõe a incorporação de outras matrizes, sobretudo de energia mais limpa, como eólica e solar. O Comitê lembra que investimentos em energia eólica realizados em menos de cinco anos ajudaram o São Francisco a enfrentar a crise de estiagem. Nos momentos mais graves, a energia eólica atendeu a 30% da demanda do Nordeste. A revitalização do Velho Chico deve ser uma prioridade para o governo, mas, como ressaltam os defensores do rio, a implementação do plano de recursos hídricos de sua bacia depende da ação conjunta entre governo federal, estados, municípios, empresas e a sociedade civil.

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