Opinião
A �RVORE DA VIDA � TUA CRUZ, SENHOR!
Dia 14 passado a Igreja celebrou a Festa da Exaltação da Santa Cruz. No século IV, o Imperador romano, Constantino Magno mandou construir em Jerusalém uma basílica no Gólgota e no Santo Sepulcro. A sua dedicação deu-se no dia 13 de setembro de 335. No dia seguinte foram solenemente expostas as relíquias da cruz do Senhor, encontradas pela Imperatriz Santa Helena, mãe do Imperador, no decorrer das escavações. Daí nasceu a festa atual. A cruz do Cristo deve perenemente recorda-nos três coisas: (1) Até onde o homem caiu no seu desejo de ser como Deus, na sua pretensão de autossuficiência: o homem é capaz de matar Deus! Matá-Lo no seu coração, matá-Lo na sua vida pessoal e social. Ao mesmo tempo, aquele Desfigurado da cruz é como que uma imagem do homem desfigurado no seu pecado. Não nos iludamos: quando matamos Deus na nossa vida, nós é que morremos, pois perdemos o eixo, o prumo, o sentido da existência e esvaziamos o coração! (2) Mas, a cruz nos revela também até onde Deus está disposto a ir para nos encontrar, até onde o Senhor é capaz de descer em busca de Sua ovelha perdida: Deus amou tanto o mundo a ponto de entregar Seu próprio Filho, o Amado, o Único! Não há sofrimento ou escuridão que sejam maior que o amor de Deus por nós! Mesmo na treva, mesmo na dor, o Senhor estará sempre presente com Seu amor. Deus continua a teima em salvar o homem, procurando-o, oferecendo-Se a ele de mil modos... (3) A cruz nos revela o modo de agir de Deus; ela é a chave para se compreender como Deus pensa, como Deus faz. E nos assusta, porque a lógica do Senhor é totalmente diversa da nossa! Na cruz aparece claro o quanto os pensamentos do Senhor são diversos dos nossos... Nesse sentido, ela é sempre um forte apelo à conversão, a que mudemos nosso modo de compreender a vida e os acontecimentos! Na cruz, quando dizemos: ?É o fim!?, Deus está dizendo: ?É um novo começo!? Na cruz aprendemos que Deus, mais que nos dar respostas, muda nosso modo de perguntar! Efetivamente, naquele Madeiro aparece dramaticamente a distância entre o nosso modo de pensar e aquele de Deus! Uma última palavra. Recorde-se, caro Leitor, do livro do Gênesis. No paraíso havia duas árvores: a do conhecimento do bel e do mal e a árvore da Vida, da Vida plena e eterna. O homem comeu o fruto da primeira, querendo ser como Deus, senhor do bem e do mal; assim, perdeu o fruto da segunda: foi privado da Vida imperecível. Nunca mais a humanidade encontrou o caminho para a árvore da Vida! Pois bem, ei-la: a árvore da Vida é a cruz do Senhor; Ele é o Fruto bendito: quem Dele come na Eucaristia tem a Vida eterna, Vida em abundância!