Opinião
Estradas mortais
De acordo com um levantamento da ONU, o Brasil é o quinto país com o trânsito mais violento do mundo. São mais de 200 mortes para cada 100 mil veículos. Nos últimos anos, foram tomadas algumas medidas importantes para reduzir os acidentes, mas o País não conseguirá cumprir as metas fixadas pela instituição de reduzir os desastres automobilísticos pela metade até 2020. Em 2011, quando passou a vigorar o acordo, as rodovias brasileiras registravam em média 24 mortes no trânsito por 100 mil habitantes. Esse número agora está em 18. São cerca de 50 mil brasileiros que perdem a vida nas estradas todos os anos. De acordo com especialistas, a embriaguez ao volante é uma das principais causas dos acidentes. Além da perda de vida, há a questão econômica. Estima-se que as ocorrências representem um prejuízo de R$ 11 bilhões aos cofres públicos, além de outros R$ 7,7 bilhões de gastos com o tratamento dos feridos. O cálculo inclui gastos com saúde e previdência, além dos ganhos potenciais das vítimas ao longo da vida. Na última década, tem chamado a atenção o aumento do número de acidentes envolvendo motocicletas. No Nordeste, essas ocorrências chegam a representar mais da metade dos casos, já que a moto é a primeira opção de transporte para muitas pessoas no Brasil, por ser vista como rápida, eficiente e barata. Em Alagoas, um levantamento feito pelo Hospital de Emergência do Agreste, em Arapiraca, revelou que, das 16.607 pessoas atendidas no primeiro quadrimestre deste ano, 4.007 foram vítimas de acidentes de trânsito. Desse total, 3.633 são pacientes que foram atendidos no HE do Agreste por conta de traumas ou ferimentos provocados nas quedas e colisões de motos. Duas medidas adotadas pelo Brasil são apontadas como primordiais para evitar um quadro ainda mais assustador nas vias urbanas e interurbanas do País: a Lei Seca ? que completa dez anos este ano ? e a Lei 13.103, que passou a exigir exame toxicológico para motoristas profissionais. Uma política eficaz de redução de acidentes deve incluir estradas bem conservadas e sinalizadas, leis eficazes, fiscalização rigorosa e melhor preparação dos condutores, além da intensificação de campanhas educativas e da educação para o trânsito desde as séries iniciais. Sem essa combinação, o País continuará enxugando gelo nesse aspecto.