Opinião
CRISTO OU BEIRA-MAR?
RONALD MENDONÇA* Tudo é relativo nesse mundo, já dizia a madre superiora. Efetivamente, em que pese o tédio que programas de auditório costumam produzir, domingo passado, depois de repetitivo noticiário sobre as dores de cotovelo e os ?grampos? de ACM, troquei de canal e me deparei com o redondo Faustão, no exato momento em que ele pedia aplausos para uma ?gloriosa? mulher de nome Juliana. Segundo Faustão, a glória de Juliana começou quando era uma graciosa componente do grupo das sorridentes dançarinas que fazem o pano de fundo dos números musicais do programa. Mas, tudo indica, que a consagração definitiva teria ocorrido recentemente, no ?Big Brother 3?. Quem ainda não tinha visto teve chance de conferir os atributos da jovem. Negra bonita, durante boa parte de sua permanência no ?BB 3? exibiu, sem economizar, interessantes fatias de epiderme e mucosas. Menção especial para as decorativas e delicadas trancinhas a emoldurar-lhe a face. Confesso que esperava algo mais (artisticamente falando), mas isso também não muda nada. Com certeza, Juliana continuará gloriosa e emprestará o ar da sua glória no carnaval do Rio de Janeiro. A reconferir, se Beira-Mar deixar. Perdão. Juro que estava decidido a não falar nesse rapaz no Sábado de Zé Pereira. Afinal é carnaval, período consagrado à preguiça, ao lazer, ao descanso. É claro que alguns, por abnegação ou tipo, estarão debruçados nos graves problemas do planeta. (?Olhem para mim. Enquanto todos se divertem, eu carrego paralelepípedos?). Queria mesmo era recordar, como o grande Carlito Lima, de histórias da adolescência. Por sorte, lembrei-me de um episódio, quando morávamos num velho casarão em Bebedouro, e meu pai nos levava aos bailes noturnos dos clubes sociais. A kombi ia lotada. Só de filhos, 8, mais as namoradas e os amigos. Uma noite, um irmão, de 10 ou 11 anos, esperneou tanto em casa que terminou indo junto. Na portaria, um posudo diretor - por sinal, médico - conferia as carteiras e avaliava as idades. Depois de fazer muxoxo com duas irmãs mais novas, na vez do irmão malcriado, o homem implicou. Virou-se para o velho e detonou: ?Zé, esse também tá demais?. Qual é a idade do guri? ?Fulano,? ponderou meu pai, enquanto agarrava a mão do filho ?de fato ele é uma criança, ainda vai fazer 14 anos em outubro. Mas, veja bem, eu podia deixar um inocente dessa idade, a essa hora, sozinho, naquele casarão com fama de mal-assombrado ?? Quanto ao glorioso Nandinho Beira-Mar, consta que, ao ser transferido para São Paulo, olhara docemente (a foto está nos jornais de ontem) para os jornalistas, lamuriando-se: ?Aqui no Rio, tudo que acontece de bom ou de ruim ou é Beira-Mar ou o Cristo Redentor?. Frasista melhor, nem ACM. (*)É MÉDICO E PROFESSOR DA UFAL