Opinião
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MARCOS DAVI MELO * Estávamos na avenida às cinco horas da manhã de sábado passado. O que não é nenhum sacrifício, pois já faz parte da nossa rotina levantar ao nascer do sol. Ao contrário da previsão do tempo, o dia amanhecia estiado. Seria longo, de sol e calor fortes. Os carros alegóricos se posicionaram cedo. Os dos corais também, apesar de um deles ter necessitado reparos de última hora. As orquestras atrasaram. Acertadas para comparecerem às seis horas da manhã, só chegaram depois das sete. Uma delas só depois das oito e ainda sem o vestuário apropriado. As roupas, extraviadas por um membro da orquestra, só apareceram quando o bloco estava saindo. Alguns componentes dos carros alegóricos somente se apresentaram quando o bloco já se movia. Daí em diante, sob um sol fortíssimo, no cenário majestoso da Pajuçara e Ponta Verde, 30 mil pessoas de todas as idades, alegres e felizes, cantando e confraternizando, mantiveram o perfil saudável do Pinto. Mais uma vez, terminamos a festa sem se registrar nenhum episódio de violência, o que comprova a disposição fraterna e pacífica do nosso folião. Os músicos foram espontaneamente saciados em sua sede pelos foliões durante todo o desfile. Alguns dias antes, durante uma das reuniões no comando geral da Polícia Militar de Alagoas, o representante do Bptran, nos alertara que no dia do desfile seria feito bafômetro nos pilotos dos carros alegóricos e dos corais, antes e depois do desfile. Apoiamos integralmente e nos dispomos também para o exame. Entre a concentração, desde às 5 horas e o encerramento, às 14 horas (nove horas no total), nenhum dos quatro membros da diretoria tomou um único gole de cerveja. A abstinência se justificava. Durante o desfile sobram imbróglios que necessitam resolução imediata. Inúmeras reuniões foram feitas com as autoridades para sanar o problema dos ambulantes. Na hora, muitos eram os que com imensos carros-de-mão atropelavam os foliões e as orquestras. Os humildes que batalhavam por um dinheirinho, quando admoestados, saiam para as laterais. Os abonados não cooperavam e agressivamente permaneciam atravancando a evolução coletiva. Ainda na avenida, logo após o encerramento do desfile, no Alagoinhas, recebemos a gratificante notícia queo Jornal Hoje,da Globo, em rede nacional, tinha mostrado o desfile do Pinto da Madrugada, através de matéria da TV GAZETA. Ficamos eufóricos, como alagoanos que vibram quando sua terra aparece no cenário nacional de forma elogiosa. Dali, fomos almoçar. Só então algumas cervejas foram consumidas. Estávamos gratificados. Foi um trabalho coletivo longo, cansativo, mas que ao final teve um resultado compensador. Nisto, a participação das autoridades, dos patrocinadores, da imprensa, dos amigos, dos foliões e do povo alagoano foi fundamental. Para os que já sentem saudades, não desanimem. Já temos uma prévia marcada para o próximo dia 31 de dezembro. Será às seis horas da manhã, na Ponta Verde. Naquele dia, o Pinto dará uma ?canja? se despedindo do ano que termina e saudando o ano que chega. O tempo passa ligeiro. (*) É MÉDICO