Opinião
Nossos carnavais
São inúmeras as atrações do carnaval de outrora em Maceió, a exemplo dos corsos, os desfiles de automóveis devidamente decorados surgidos no Rio de Janeiro na primeira década do século passado, até hoje lembradas com saudade. Não são apenas eles que deixaram de fazer parte dos programas dos nossos autênticos ?reinados de Momo?, e sim vários dos mais tradicionais blocos, troças, escolas de samba, etc. Estamos tratando de uma realidade deveras lastimável, até por uma questão histórica. A tradição carnavalesca alagoana é, provavelmente, mais antiga do que o próprio corso. Vinha do Império. Antecipou-se ao surgimento, no País, da figura festejada como o monarca da folia. Atravessou os anos e foi preservada até há cerca de três décadas, nos clubes e nas ruas da capital e de boa parte das cidades do Interior. Principalmente no tempo em que os verdadeiros carnavais ao ar livre se concentravam no centro comercial de Maceió, Bebedouro se destacava entre as comunidades da periferia, com a República da Alegria governada pelo major Bonifácio Silveira. Nessa época, o alagoano preferia o frevo importado de Pernambuco, as marchas de compositores da terra, como Jayme de Altavila, ao samba carioca. Não se falava em ?axé-music?. Os grandes clubes, como a aristocrática e vanguardeira Fênix, Terpsicore, Jaraguá Tênis Clube, Portuguesa, Iate Pajuçara e Alagoas Iate Clube, e os mais populares, entre os quais citamos o Aliança, chegaram aos anos 70 mantendo, nas prévias e nos quatro principais dias de festas momescas, a movimentação de seus primeiros anos. Na orla marítima, só os também tradicionais banhos de mar à fantasia. As iniciativas da Polícia Militar de preservar o Vulcão, um dos blocos alagoanos que já arrastava multidões pelas ruas de Maceió no passado, e dos idealizadores de O Pinto da Madrugada, devem ser estimuladas e provocar o aparecimento de novos grupos carnavalescos, além de incentivos e apoio dos órgãos públicos e de empresas particulares para mantê-los, salvar as agremiações remanescentes. E contribuírem para a organização de outras. Somos um Estado com um potencial cultural e artístico que não fica a dever aos demais do País. Que pode e precisa ser devidamente usado em tempos como este, em ocasiões como o carnaval, entre as medidas que se fazem necessárias na busca do desenvolvimento econômico e social. Principalmente pelas vias do turismo.