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Opinião

DIF�CIL MISS�O

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Não faz muito tempo, uma notícia curiosa chamou a atenção. O Japão, um dos países mais desenvolvidos e educados do mundo, lidava com um novo e inusitado problema. Um número cada vez maior de aposentados estava cometendo crimes propositais com deliberada intenção de serem presos. Não é piada. Os respeitáveis senhores orientais alegavam que os proventos pagos pelo governo eram tão baixos que era impossível viver com o mínimo de decência. Do alto de sua notória honra ancestral, os anciões preferiam abrir mão do seu bem mais precioso, a liberdade, do que viver livre na vergonha. Mais que uma bizarrice nipônica qualquer, a situação é uma lembrança de como é difícil se aposentar no resto do mundo. Países com altíssima produtividade e grande renda per capita, como a Alemanha, só permitem o afastamento final do trabalho após idades mínimas cada vez maiores (67 anos) e com proventos que, como se vê no caso Japonês, podem ser considerados tudo menos polpudos. Além de terem de encarar os draconianos sistemas públicos, o acúmulo de capital para renda suplementar é, também, muito mais difícil. Os brasileiros não conseguiriam nem imaginar o que é viver em uma economia com taxa de juros negativa, onde você coloca seu dinheiro na poupança e após décadas de disciplina e desprendimento, recebe menos do que colocou. Antes de taxar a previdência nacional de generosa cabe, porém, uma reflexão minimamente sensível. A maioria dos dependentes do INSS recebe o salário mínimo, que se não faz com que estes prefiram as prisões, é mais resultado das condições infernais dos nossos presídios do que qualquer outra coisa. Como pode um sistema que remunera tão miseravelmente ser tão deficitário? Como é possível convencer alguém que ganha menos de mil reais por mês, para sustentar toda a família, de que ele é o culpado pelo atraso do País? A grande questão é que a previdência brasileira nunca foi um plano de aposentadoria, e sim, um programa de distribuição de renda. O trabalhador começa a receber ainda em idade produtiva (em média 53 anos) e ganha, no fundo, uma espécie de promoção por antiguidade, já que a maioria continua trabalhando de alguma forma. Isso não enseja uma interpretação necessariamente negativa, tendo em vista nossas prementes necessidades sociais, o problema é que, com o envelhecimento da população, o naco do PIB carcomido será tão grande que o sistema se tornará inviável.

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