Opinião
Mercado restrito
A Carta de Conjuntura 32, divulgada ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), revela aceleração do desemprego no País. Comparando o segundo trimestre deste ano com o último trimestre de 2014, que foi o último período antes da piora registrada no mercado de trabalho, verifica-se que as perdas acumuladas na taxa de desemprego, em termos de pontos percentuais, são piores entre os jovens do que na faixa etária acima de 59 anos. A maior variação da taxa de desemprego foi entre os maiores de 59 anos, equivalente a 132% no período compreendido entre o último trimestre de 2014 e o segundo trimestre de 2016, enquanto entre os jovens, a perda alcançou 75,3%. Ou seja: a taxa de desemprego mais do que dobrou no caso dos mais velhos. A taxa dos mais jovens se estabilizou, mas continua muito alta. Para o Ipea, o aumento do desemprego foi provocado, principalmente, pela redução do número de contratações. Em tempo de poucas vagas no mercado formal, muitos acabaram optaram pelo trabalho autônomo. A queda no poder de compra das famílias e o aumento do desemprego têm levado um número cada vez maior de brasileiros a sair em busca de uma vaga no mercado de trabalho, inclusive idosos. A dificuldade de idosos serem contratados é, muitas vezes, fruto de preconceito. Há receio de que eles não consigam se adaptar às novas tecnologias. Para alguns empregadores, pessoas mais velhas, apesar de representar uma mão de obra experiente, podem ter perdido a capacidade para trabalhos que exigem força física. Num futuro não distante assim, essa realidade terá de mudar no futuro, pois a população brasileira caminha para um maior envelhecimento e redução da população jovem. De 2003 a 2013, o Brasil viveu um período de grande expansão econômica, uma situação de pleno emprego, aumento da renda e a inserção de grande número de famílias no mercado consumidor. A situação se inverteu nos últimos três anos, e a recuperação será lenta e gradual. A perspectiva dos economistas é de que o retorno das contratações demore um pouco a acontecer, porque primeiro é preciso que a produção se recupere. Para jovens e idosos, resta investir em qualificação, mantendo-se atualizados e atentos às novas tendências do mercado.