Opinião
GUERRA SEM FIM
A Gazeta de Alagoas trouxe, na sua edição de final de semana, matéria que revela um quadro desolador e preocupante: as forças de segurança não conseguem combater com eficiência o tráfico de drogas, uma guerra desigual na qual a sociedade tem perdido sucessivas batalhas. Mesmo as notícias positivas embutem dados perversos, como o anúncio de que o aparato policial apreendeu mais de duas toneladas de entorpecentes este ano avaliadas em quase 4 milhões de reais. Só que isso, segundo fontes extraoficiais, corresponde apenas 5% do total que circula no Estado. O investimento que é feito em inteligência, homens e armamentos tem um retorno quase insignificante, o que é lamentável. Não se trata apenas de Alagoas, esse é um fenômeno mundial. No mundo inteiro, as organizações criminosas que controlam o tráfico espalham seus tentáculos e tecem uma teia de impunidade que atinge a todos. Controlam bilhões de dólares e não se importam com meros cinco por cento de perda. Em 2000, após dois anos de trabalho e dinheiro gasto em viagens e audiência, a CPI do Narcotráfico indiciou 800 pessoas, sendo 2 deputados federais, 14 deputados estaduais e 6 desembargadores, sem resultado prático, o indiciamento ficou apenas no papel. Mas a Comissão levantou dados interessantes e alarmantes. Na época, constatou-se que o tráfico empregava 200 mil pessoas, mais que o Exército, cujo efetivo é de 190 mil pessoas. Passados 16 anos, não temos ideia de quantas pessoas estão envolvidas com a atividade criminosa no País. Ao longo desse tempo, o tráfico atingiu alto grau de organização, não que isso signifique indulgência, pelo contrário: tornou-se mais cruel e mortal. Perto de mil pessoas foram assassinadas em Alagoas desde o início do ano, a maioria das mortes está relacionada com as drogas. Muitas outras ainda vão morrer antes que o ano acabe. Os que se vão são substituídos rapidamente, tanto na oferta quanto na demanda. O tráfico criou uma sociedade paralela, com suas próprias regras, seus tribunais e penas. Consubstanciou um Estado bárbaro, melhor aparelhado e que inflige derrotas ao Estado democrático que vivemos. Este precisa encontrar alternativas de combate que não as que estão em prática há anos. Os Estados Unidos ? que idealizaram o modelo ? têm gasto bilhões de dólares para identificar e desmontar organizações criminosas, mas a ressurgência frustra, como Sísifo, da mitologia grega, condenado eternamente a empurrar uma enorme pedra até o alto da montanha para depois vê-la rolar ladeira abaixo. Não somos Sísifo, não podemos fazer isso eternamente. Merecemos paz.