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Pesquisa realizada pelo instituto Datafolha revela uma situação preocupante: mais de 33% da população brasileira considera a vítima culpada pelo estupro. O levantamento mostra ainda que 42% dos homens e 32% das mulheres entrevistados concordam com a afirmação: ?mulheres que se dão ao respeito não são estupradas?, enquanto 63% das mulheres discordam. Para especialistas, o resultado da pesquisa mostra a prevalência da cultura machista na sociedade, que estabelece um padrão de comportamento para as mulheres. Diante de casos de agressão sexual, em que as mulheres têm seu corpo e individualidade violentadas, muitas vezes o que se pensa logo é na roupa que a vítima estava usando. A violência contra a mulher tem raízes profundas que estão situadas ao longo da história da humanidade. Não se pode negar, entretanto, que, tem havido importantes mudanças no Brasil ao longo dos anos, em virtude de fortes mobilizações voltadas para o combate à violência de gênero. A articulação social, juntamente com a busca por parcerias com o poder público, já resultou em uma série de conquistas. Uma das mais importantes foi a aprovação da Lei nº 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha, que criou instrumentos de combate à violência doméstica e familiar contra a mulher. É bom lembrar que o termo violência sexual abrange diferentes formas de agressão que ferem a dignidade e a liberdade sexual de uma pessoa, tais como assédio, exploração sexual e estupro. Nesse conceito também estão as ?piadinhas?, comentários e ?cantadas?, algo que muitas mulheres podem até considerar como inofensivo. Romper com essa a cultura machista exige mais do que leis. É preciso que o respeito à mulher comece dentro de casa e se estenda à sala de aula. Daí a importância de educar as crianças, meninos e meninas com os mesmos direitos e deveres em casa e discutir na escola o tema do machismo, aproveitando-se do fato de que os jovens de hoje costumam ser mais abertos em relação à igualdade de direitos. Há ainda há um longo caminho a percorrer, pois não se mudam práticas cotidianas por decreto. É um processo lento e gradual. Além das necessárias leis, é preciso que a sociedade também não aceite mais conviver com esse tipo de violência. A omissão contribui para perpetuar a impunidade.

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