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UFAL: 10 ANOS DE INTERIORIZA��O

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Era dezembro de 2005, quando assinávamos o projeto de implantação do campus Arapiraca. Esse momento marcava a interiorização da Universidade Federal de Alagoas, que como diziam as autoridades naquele momento ?nascia um bichinho vivo que se espalhava pelo Estado?. Na justificativa do projeto, destacamos que a concentração espacial da Universidade na capital significava restrição do acesso ao ensino superior a uma parcela da população de estudantes pobres e interioranos. O projeto foi apresentado ao Conselho Superior da Universidade (CONSUNI) e, após uma sessão com muito debate, foi aprovado o pleito de a Ufal sair da capital e abrir as estradas do conhecimento em outras terras, fazendo caminhos nunca antes imaginados. Desta forma, Arapiraca seria a primeira cidade a receber a Ufal Agreste e seus Polos Viçosa, Palmeira dos Índios e Penedo. A proposta inicial também contemplava os campus Sertão e Litoral, e seus polos. Em 22 de fevereiro de 2006 foi lançada a pedra fundamental com a presença do então presidente Lula, grande investidor e incentivador da educação pública do período. O dia 15 de setembro de 2006 foi a culminância de uma longa jornada, daqueles que, por muitas vezes foram rechaçados, tiveram seus gabinetes e privacidade invadidos, entretanto, trabalharam diuturnamente para levar a Universidade para perto de quem precisa e, de peito e coração abertos por um propósito maior que as dificuldades ora impostas, irmanaram-se na elaboração do projeto para interiorizar a Universidade. Arapiraca foi a pioneira. Acolheu a sede do novo campus e também 11 cursos, entre eles Agronomia, o único curso que lembrou e celebrou essa década de interiorização com um belíssimo evento. Parafraseando Clebson Praxedes, representante dos estudantes de Agronomia do Campus Arapiraca na festividade de 10 anos de implantação do Campus e do referido Curso, a Ufal levou o conhecimento àqueles que, como filhos de agricultores que não tinham condições de estudar em Maceió, mas que são capazes e competentes, de transformar a realidade de suas vidas e de suas famílias. Assim como Clebson, como Reitora, à época, sinto que o meu dever foi cumprido. A implantação do ensino superior público federal iniciado na região Agreste chegou três anos depois ao Sertão, com o Campus Delmiro Gouveia e depois foi ganhando forma, demonstrando o real papel social, político e econômico que o ensino, a pesquisa e extensão, pilares da UFAL, são capazes de fazer em Alagoas e para Alagoas. No artigo ?Impacto da interiorização da UFAL no desenvolvimento econômico do estado de Alagoas ? análise baseada nas empresas incubadas?, dos pesquisadores Silvia Beatriz Beger Uchoa, Josealdo Tonholo, Kelyane Silva, Hérmani Magalhães do Carmo e Patrícia Brandão da Silva, os autores destacam que a ?expansão da UFAL para as regiões como o Agreste e Sertão Alagoano tem transformado a dinâmica das cidades, não apenas pela formação de pessoal, mas por agregar às pequenas cidades uma cultura empreendedora e uma abertura de potenciais mercados consumidores no entorno, principalmente porque muitos dos cursos ofertados estão diretamente ligados ao desenvolvimento do setor produtivo, com a possibilidade de reter na região o capital intelectual formado, promovendo, assim, um desenvolvimento local sustentável?. Apesar de não termos notado um movimento efusivo de comemorações, a Ufal, a comunidade acadêmica, o Estado, os municípios, as lideranças, os formadores de opinião e a sociedade de modo geral deveriam se voltar para este fato, pois a interiorização da Universidade Federal se configurou como sendo o maior vetor de desenvolvimento de Alagoas e esse feito histórico que completou 10 anos, em 15 de setembro de 2016.

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