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Opinião

A BOIA DA ESPERAN�A

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Era abril de 1959,quando Fidel Castro, três meses após tomar o poder em Cuba à frente dos Guerrilheiros de Sierra Maestra, veio ao Brasil pela primeira vez: recebido com entusiasmo pela população do Rio de Janeiro, onde participou de comícios e reuniões, viu-se acolhido por autoridades que o agraciaram com homenagens, como o banquete oferecido pelo presidente Juscelino Kubitschek. Durante o jantar, um homem gorducho aproximou-se de Fidel e lhe disse simpatizar com o seu governo, mas discordava dos fuzilamentos, conhecidos como paredón. O comandante respondeu: ?Posso assegurar ao senhor que eu só fuzilei ladrões do dinheiro público e cafetões?. O gorducho era Adhemar de Barros, governador de São Paulo. Adhemar, formado em Medicina, estudou em colégios caros, dominava idiomas, cultivava quadros e objetos de arte. Era um tocador de obras: hospitais, rodovias, aeroportos, prédios públicos e escolas. Iniciou as obras do Hospital das Clínicas da USP, construiu o Estádio do Pacaembu e o Autódromo de Interlagos. Populista, empregava amigos e correligionários, distribuía alimentos e remédios com a população pobre. Ficou conhecido na história como o ?rouba, mas faz?, título que, absolutamente, não o constrangia. A tradição da corrupção nacional envolvendo dinheiro público remonta a Tomé de Souza, o primeiro governador-geral do Brasil: nomeado por D. João III em 1549, parece ter inaugurado o estilo ?rouba, mas faz?, descrito sucintamente pelo frei franciscano Vicente do Salvador. De lá para cá, a corrupção e o roubo dos cofres públicos têm sangrado os recursos que deveriam ir para a população em forma de serviços decentes, e para alicerçar o nosso desenvolvimento. A destruidora corrupção brasileira parecia um mal atávico, inalienável, como se fizesse parte de nosso DNA, besta demoníaca a se transmitir inexoravelmente de geração a geração, destruindo a nossa economia e as nossas esperanças, até surgir a Lava Jato, uma boia salvadora do afogamento cruel no imenso mar lodoso da impunidade eterna. Os que criticam a Lava Jato, com todo o respeito, entendam que ela é uma das poucas esperanças nacionais. Depositária das expectativas em um País mais digno e mais decente. Um País que se preocupe e se indigne também com os milhares de pacientes do SUS e seus familiares, que padecem vergonhosa e miseravelmente por todo o Brasil, e não apenas com os privilegiados parentes dos pacientes do hospital Einstein, que merecem todo respeito, mas sempre têm tudo do bom e do melhor.

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