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Uma chance � paz

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Com uma cerimônia solene, o governo colombiano assinou ontem, na cidade de Cartagena, um acordo histórico de paz com a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc, para acabar com um conflito de mais de meio século. Em 52 anos, o conflito deixou 260 mil mortos, 45 mil desaparecidos e 6,9 milhões de pessoas deslocadas. Não deixa de ser emblemático o fato de que o documento foi assinado com um ?balígrafo?, uma bala convertida em caneta. As negociações entre o governo da Colômbia e as Farc duraram 4 anos. O acordo, fechado com a intermediação de Cuba, envolveu temas complexos como o acesso à terra para os camponeses, o narcotráfico, garantia de participação política para os membros das FARC e a retirada das minas terrestres. Um dos pontos mais polêmicos, sem dúvida, foi a inserção das Farc no sistema político. O consenso sobre esse ponto só foi obtido nos últimos dias de negociação. Pesquisas mostravam que a maioria esmagadora dos colombianos preferiam que os ex-guerrilheiros fossem completamente banidos da política. No final ficou estabelecido que os ex-Farc poderão formar um partido para concorrer às eleições, tanto locais quanto nacional, e terá direito a receber verbas públicas. A guerrilha nasceu, principalmente, devido à frustração com as profundas desigualdades socioeconômicas do país e sobreviveu ao fim de outros grandes levantes no continente. Entretanto, aos poucos, as Farc começaram a se distanciar das suas lutas pela reforma agrária e pela justiça social no campo. Assassinatos, sequestros, violência e associação com o tráfico descaracterizaram o movimento. Agora se inicia um longo, tortuoso e muito mais difícil processo do que foram as negociações. Para além da sua concretização prática, o acordo terá ainda de ser ratificado pela população num plebiscito marcado para 2 de outubro e que para ser validado necessita da participação de mais de 13% dos eleitores, 4,5 milhões de pessoas. O atual governo deverá ser capaz de vencer a forte oposição das forças conservadores contrárias às concessões feitas ao grupo guerrilheiro. Ao mesmo tempo, as Farc precisa convencer a população de que abandonou de vez a luta armada e agora quer lutar com as armas da democracia. De qualquer forma, um gigantesco passo foi dado ontem.

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