Opinião
SANTA TERESA DE CALCUT�
Em solenidade realizada no último dia 4 de setembro, o Papa Francisco inscreveu no álbum dos santos da Igreja Católica a beata Madre Teresa de Calcutá, apóstola da caridade que marcou profundamente o mundo em seu tempo, especialmente a Índia, onde iniciou a sua jornada de amor incondicional ao próximo. Humilde, ao receber o Prêmio Nobel da Paz, afirmou: ?Eu sou somente uma irmã que reza?. Quando um jornalista quis fotografar os seus olhos, por ver neles uma imensa felicidade, a freira lhe respondeu: ?O segredo é tão simples: meus olhos são felizes porque as minhas mãos enxugam muitas lágrimas?. Benditas mãos que a tantos acolheram e conduziram, bem-aventuradas mãos que se tornaram, na terra, sinal visível do Pai Eterno que é todo bondade e mansidão. Mãos de uma verdadeira mãe, pelas quais o coração se derrama em gestos de carinho e bem-querer. Acostumei-me, em minha infância, a ver Madre Teresa no noticiário, com o seu rosto enrugado e o seu corpo curvado, recolhendo das ruas os desvalidos e levando-os para os hospitais e abrigos que ela fundou. Muitos já estavam à beira da morte, com as chagas expostas e mal respirando, mas ainda assim encontraram amparo no seu momento derradeiro. ?Se não tiveram dignidade durante a vida, ao menos serão tratados com misericórdia na hora da partida?, dizia a velha religiosa. O Evangelho ela pregava com a sua própria vida, com o seu exemplo extraordinário de entrega e de dedicação ao próximo. Compadecia-se do sofrimento de todos, fossem reis ou plebeus, e a nenhum deles negava uma palavra de conforto e de esperança. Lembro-me dela ao lado de São João Paulo II, trocando afagos como verdadeiros irmãos. O mesmo Século XX que gerou duas guerras mundiais testemunhou a atuação de grandes personagens que tornaram a humanidade melhor, tais como Gandhi, Padre Cícero, Chico Xavier, Frei Damião. Teresa de Calcutá é dessa mesma estirpe, e com a força do seu testemunho tratou das feridas de milhões de desvalidos, deu-lhes abrigo e comida, ofereceu-lhes remédios e assistência espiritual. Falava pouco, dizem os seus biógrafos, certamente porque as suas ações eram a mensagem mais encantadora que ela podia expressar. Ela estava entre nós para servir e para amar, e foi amando e servindo que se tornou a única luz para tantos que viviam literalmente nas sarjetas, sem quaisquer resquícios de humanidade. Por isso ela hoje brilha no céu, na esteira de um dos seus sábios ensinamentos: ?A única mala que levamos para o além é a mala da caridade. Enquanto há tempo, encha-a?.