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Opinião

O EXERC�CIO DA DEMOCRACIA

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Amargamos mais de duas décadas lutando pela possibilidade de votar. A ditadura militar nos tirou esse direito e reprimiu duramente quem ousou lutar pelo pleno exercício da democracia nos anos 60 e 70. Muitos foram presos, torturados, mortos, mas, no final, vencemos. Vivemos hoje uma nova era, na qual podemos escolher o nosso destino, decidir o que é melhor para nossas vidas graças às urnas. Como então pôr-se à margem desse processo? Como renegar nossa cidadania e encetar campanha pela abstenção ou pelo voto nulo, como ocorre hoje nas redes sociais? É como se a história voltasse. Naquela época, muitos se abstiveram de se manifestar porque não queriam se envolver com política. Como não havia internet, um poema do dramaturgo alemão Bertolt Brecht era distribuído como forma de alertar as pessoas de que ignorar a política era algo danoso com consequências devastadoras. Brecht falava acerca do analfabeto político: ?o pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nascem a prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais?. O poema continua atual. Ficar em casa, ou anular o voto, como forma de punir os políticos, é uma atitude inócua do ponto de vista de retaliação, mas funesta para a democracia. Só poderemos melhorar, qualificar as Câmaras Municipais e Prefeituras se formos sistemáticos e progressivos, testando, avaliando, analisando quem é realmente honesto, crível, quem possui uma índole humanitária, quem é competente, quem se preocupa com os outros e não apenas consigo. Isso só é possível com eleições. A cada ciclo, vamos afastando os nefastos, os incompetentes, e aprimorando o processo democrático. No próximo domingo temos um compromisso com a democracia, um compromisso com nossa cidade. Antes de tudo, o cidadão vive na cidade, conhece suas esquinas, cumprimenta seu vizinho. Abrir mão do desejo de melhorar, de lutar para que seus filhos e netos habitem um lugar ideal, é um retrocesso, é uma volta ao tempo dos generais, hoje disfarçados de personas que só veem o próprio umbigo e bolsos.

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