Opinião
LEGALIZA��O DO ABORTO
Há vários anos, participou do grupo de jovens ao qual eu pertencia um rapaz que engravidou sua namorada. Ambos tinham 16 anos e estavam atormentados com aquela novidade. O que fazer? A menina tinha uma família difícil e temia tornar público o que estava acontecendo. Diante do medo e das incertezas, pensou em fazer o abortamento. Cônscio daquele enredo, resolvi ir ao encontro dela e tentar impedir o mal. Conversei e lancei uma luz de fé sobre aquela situação. Como cristão quis mostrar diversas soluções, sem precisar tirar uma vida para isso. Uma frase que utilizei em várias ocasiões como esta: ?um erro não corrige outro erro?. Em uma sociedade na qual as pessoas fogem das responsabilidades, buscar atitudes mais cômodas parece ser a melhor saída. Contudo, as consequências são danosas. Marcas como estas permanecem na memória daqueles que as permitem existir. Diante do diálogo e da oração, uma intervenção divina aconteceu. Ela voltou atrás e não realizou o aborto. O casal amadureceu e resolveu posteriormente receber o sacramento do matrimônio. Tornei-me próximo à família e ao visitá-la constatei que o bebê havia se tornado um jovem. Os pais estão felizes e conseguiram crescer juntos em vários outros âmbitos. Ao ver o garoto, lembrei-me de toda a história que assisti de perto. Eu pude tocar a sua vida. Agradeço a Deus por ela não ter sido ceifada. Outra vez cheguei a ficar tão emocionado que as lágrimas desceram. Eu me senti parte de um ato salvador. Atualmente, no site do Senado há uma enquete sobre a legalização do aborto. Lê-se: ?regular a interrupção voluntária da gravidez, dentro das doze primeiras semanas de gestação, pelo sistema único de saúde.? Então o internauta pode dar um clique em contra ou a favor. A opinião pública está divida. Como sacerdote, trabalho diretamente com pessoas. Escuto seus anseios, acompanho suas histórias e tento ao máximo ajudá-las. Todas as mulheres que praticaram o abortamento têm sequelas grandiosas. Estando tão próximo, se fortalece em mim mais e mais a certeza do mal dessa prática. Tirar uma vida será sempre um assassinato. Por mais que queiram dar outros nomes, quem faz abortamento está matando outrem. Já é outro ser. Digamos não à cultura de morte! Precisamos de mais vida!