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FOLGUEDOS POPULARES

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Os folguedos populares estiveram presente no cotidiano das famílias do antigo Engenho Bananal da Viçosa, desde os primórdios de sua fundação, que data da primeira metade do sec. 19. A chegança, o fandango, as baianas, os quilombos, os presépios dramáticos, os pastoris, os caboclinhos e os reisados eram os autos populares que se apresentavam nas épocas natalinas na casa-grande do Engenho. Os reisados tinham seus componentes trajados com roupas muito coloridas e os chapéus grandes com fitas e espelhinhos. Os componentes do reisado iam fazer a abertura da função em frente à igreja e depois se apresentavam na casa-grande em festa bastante concorrida pelos moradores do lugar. Os reisados de antigamente eram constituídos somente por homens. O reisado moderno é o que chamamos hoje de guerreiro; possuem maior número de figurantes e agora com a presença de mulheres. Segundo o viçosense Théo Brandão, o auto dos guerreiros é um folguedo surgido em Alagoas, entre os anos de 1927 e 1929. É o resultado da fusão de reisados alagoanos e do antigo e desaparecido auto do caboclinhos, da chegança e dos pastoris. Na década de 1970, o Bananal voltou a reviver seus dias de reisados com o folguedo comandado pelo hoje lendário mestre Osório Tavares. O reisado do mestre Osório passou a ser um folguedo popular tradicional do povoado. Em uma das várias apresentações em Bananal, na década de 1980, Osmar Jatobá, viçosense, residente em Brasília, encontrava-se de posse de um gravador, grande novidade da época. Pediu a Osório que cantasse uma peça para ele gravar e levar para a capital da República. Osório não cantou uma peça das tradicionais, deu o tom ao sanfoneiro Zezinho e ao violeiro Zé Bolinha, seu filho, então improvisou a seguinte peça, hoje um verdadeiro hino de louvação à Princesa das Matas: ?Ô Viçosa, do nosso Brasil, / Eu longe de ti, a saudade me mata. / É de prata, cidade mimosa, / Teu nome é Viçosa, Princesa das Matas. / Este ano, eu vou ensaiar, / Nos vamos cantar as pecinhas da vila. / Faça fila, meninas cuidado, / Que vai ser gravado, pra ir pra Brasília?. Osório faleceu em 2013, aos 90 anos. O atual reisado mestre Osório do povoado Bananal, é uma homenagem que fazemos àquele que foi um ícone do folclore viçosense. Sua fama passou de pai para filho: hoje o mestre é Expedito Tavares, seu filho; a contramestre chama-se Maria Cícera, que é a organizadora. Tem ainda o Mateus e o palhaço, destinados a animar a apresentação. As figurantes são cinco jovens em cada cordão com as roupas encarnado e verde. O reisado dança ao som de uma viola tocada por Zé Bolinha, também filho de Osório. Nos entremeios (pequenas encenações dramáticas) das apresentações do reisado, temos, dentre outras peças: a da Joana Baia (adornada com colares, brincos, anéis), que faz o papel de uma mulher desprezada pelo marido que a deixa com cinco filhos menores. Outra apresentação é a da alma, indivíduo todo de branco com um véu grande na cabeça. Tem também a dramatização do cão, pessoa travestida de preto com um rabo grande e máscara com pontas. O reisado mestre Osório também é apresentado na versão com crianças de 6 a 10 anos. Assim, garantimos a continuidade das tradições do lugar.

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