Opinião
Ainda o analfabetismo
O Brasil carece de há muito de uma política adequada ao combate às desigualdades sociais, as maiores causas da exclusão. Para isso é necessária a implementação de ações capazes de acabar com uma série de problemas crônicos, entre os quais o analfabetismo, sobretudo no segmento de jovens e adultos. Uma pesquisa divulgada pela Pastoral da Criança, no ano passado, aponta a falta de alfabetização como uma das principais causas da desnutrição no País. Dentre as crianças pesquisadas, 8% apresentaram grau de desnutrição de moderado a grave, por estar abaixo do peso; 16% eram portadores de desnutrição crônica, 37,2% das mães e 45,9% dos pais são analfabetos, sendo que apenas 35,6% das mães freqüentaram a escola de um a três anos. Pelos dados do Censo 2000, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 87,2% da população brasileira ? 120 milhões de pessoas com 10 anos ou mais ? consideram-se alfabetizadas. Entre 1991 e 2000, o número de analfabetos no País caiu de 22,3 milhões de pessoas para 17,6 milhões. A maior queda foi verificada na faixa de 10 a 14 anos. A taxa de analfabetismo neste grupo passou de 17,7% para 7,2%, enquanto que no grupo a partir de 15 anos a taxa caiu de 20,1% para 13,6%, no período. O Distrito Federal aparece no resultado do mesmo levantamento com a maior taxa de alfabetização do País (94,8%) enquanto Alagoas está na lanterna com um índice de 62,2%, e o Nordeste liderando entre as regiões com analfabetos na zona rural, com apenas 75,4% dos moradores de 10 anos de idade ou mais se considerando alfabetizados. A nação não pode continuar afetada pela fome, miséria e os trágicos resultados da onda crescente da criminalidade. E um basta a tudo isso é possível, desde que sejam conduzidos, de acordo com as melhores expectativas, os programas que o novo governo tem anunciado para erradicar o analfabetismo no Brasil ainda na atual gestão. Mormente em nosso Estado, escolhido para ser o primeiro a ser contemplado com essas novas ações.