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A SOLID�O DA AM�RICA LATINA

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Os homens andavam carregando atrás de si um cortejo de borboletas amarelas. As mulheres trancavam-se por décadas em casas escuras e fechadas.Um comboio chegava à cidade carregado de cadáveres e uma população inteira perdia a memória. Era a fictícia Macondo, criada pela imaginação fértil de García Marques, em ?Cem anos de solidão?, a obra que sedimentou o Realismo Mágico e lhe deu o Prêmio Nobel de Literatura em 1982. García Marques em seu discurso de recebimento do Nobel, denominado ?A solidão na América Latina?, cita Antonio Pigafetta, navegador florentino que acompanhou Magalhães na primeira viagem em volta do mundo: na ocasião de sua passagem pelo continente, escreveu que viu porcos com umbigos nas ancas, pássaros sem garras cujas fêmeas botavam os ovos nas costas de seus parceiros, e uns pelicanos deslinguados, com bicos feito colheres. Marques na continuidade de seu discurso clama que muito sangue sempre correu no continente, no embalo de sua política corrupta. Na primeira eleição com restrições para doação eleitoral no Brasil, um cruzamento de dados do Tribunal de Contas da União (TCU), feito a pedido do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), identificou várias situações alarmantes. Um dos casos que mais chamaram a atenção é o de um doador de Goiás, sem renda declarada, que repassou R$19 milhões para a campanha de um candidato. Também foram descobertos 143 mortos que doaram, até o momento, R$272 mil. Há, ainda, 22.367 beneficiários do Bolsa Família que contribuíram para campanhas com R$22 milhões. A relação inclui, ainda, um professor universitário que doou R$600 mil para campanhas. Se esses mortos votarem, não é milagre do Realismo Fantástico, mas é a corrupção que não sumiu, nem sumirá, somente com o afastamento do PT do poder. Um grupo muito forte no Brasil insiste para o País continuar fazendo parte das bizarrices descritas por Pigafetta e García Marques, mas também existe um contingente significativo de eleitores que anseiam ver o País mais civilizado e afastado das coisas amalucadas e corruptas antigas, e das ilusoriamente novas, como o bolivarianismo. Delineia-se, ainda, um longuíssimo caminho pela frente até se chegar lá... E muito suor precisará ser vertido.

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