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Desalento

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Dados do TSE mostram que a eleição municipal deste ano registrou o maior índice de abstenções da história: mais de 25 milhões de cidadãos aptos deixaram de votar em todo o País. Em Alagoas não foi diferente. O percentual de eleitores faltosos dobrou se compararmos os pleitos de 2012 e o deste ano. Também há que destacar o grande número de votos brancos e nulos. Em algumas cidades, a soma desses dois tipos de votos com as abstenções superou a votação do primeiro colocado. No Rio de Janeiro, por exemplo, quase metade dos cariocas simplesmente não votou em ninguém. Outro aspecto que merece reflexão é a queda de 9 pontos percentuais no número de títulos de eleitor expedidos para adolescentes com idade entre 16 e 18 anos, entre 2012 e 2016. Até junho deste ano, só 40% dos jovens brasileiros nessa faixa etária haviam tirado título de eleitor pela primeira vez. Para analistas, esses números refletem a desconfiança do eleitor com a classe política. Depois dos protestos de 2013, pouca coisa mudou no cenário político e não há sinais de que isso venha a se modificar em curto prazo. Os escândalos de corrupção e a grave crise econômica certamente contribuíram para que o eleitor se sentisse desmotivado a sair de casa para exercer seu direito. Em relação aos jovens maiores de 16 anos e menores de 18 ? faixa em que o voto é facultativo ?, o ingresso espontâneo no sistema eleitoral pode ser visto como um indicador da vontade participar da vida política do País. Entretanto, nota-se que esse público tem preferido adiar o acesso a esse direito, deixando para exercê-lo apenas quando se torna obrigatório. Trata-se de um fato preocupante quando se sabe que, nas grandes manifestações populares de 2013, foram principalmente os jovens que iniciaram as mobilizações. É como se todo aquele ímpeto inicial tivesse sido perdido, substituído pelo desalento e a resignação. O cenário reforça mais uma vez a necessidade de uma reforma política, considerada a mãe de todas as reforças. O País precisa de mudanças profundas que fortaleçam nosso sistema representativo. Isso exige amplo debate. Por enquanto, vemos apenas medidas paliativas. O brasileiro precisa voltar a sentir motivado a exercer sua cidadania.

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