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Opinião

F� NA DEMOCRACIA

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Em 1982, os brasileiros foram às urnas na primeira eleição com aura democrática após a brutalidade da ditadura militar. O Partido Democrático Trabalhista elegeu Leonel Brizola governador do Rio de Janeiro, dois senadores e 24 deputados federais, sinalizando que o trabalhismo estava de volta com a força necessária para influir nos destinos do País. Ao longo dos anos, o PDT configurou-se como uma das principais legendas do parlamento, atravessando incólume escândalos e agressões que atingiram o Brasil e sai, agora, mais uma vez fortalecido de um processo eleitoral. O partido cresceu 9,9% em relação a 2012, elegendo 334 prefeitos. O número de vereadores passou para 3.756, um avanço de 5,4%, o que atesta que independentemente da ojeriza que parte do eleitorado tem hoje para com os políticos, muitos identificam verossimilhança nas propostas trabalhistas ? e esse é um compromisso que mantém o PDT nos trilhos da democracia há 37 anos ? o que é gratificante tendo em vista os votos brancos, nulos e as abstenções, que chegaram a quase 50% em algumas regiões do País (caso do Rio de Janeiro, por exemplo). Aqui em Alagoas conquistamos cinco prefeituras, mantendo a performance do último pleito municipal. Essa, contudo, foi uma eleição atípica, com pouquíssima movimentação nas ruas e um eleitorado atarantado em função dos últimos acontecimentos. Não se tratou apenas de levar o eleitor a escolher este ou aquele candidato, mas sim de fazê-lo voltar a acreditar no processo, na justeza da eleição como forma de melhorar a vida de todos. Esse é o principal desafio do segundo turno: levar o povo a ter fé na democracia. Uma cidade não se autogere, é necessário alguém para conduzi-la, administra-la; nisso todos parecem concordar. É um paradoxo, então, afastar-se do processo de escolha desse administrador. Dizer ?não quero saber dos políticos? não implica em não saber da política, senão seria anarquismo ? não a bagunça, mas o sistema político visionário que se opõe a qualquer de hierarquia ou governo, poético, mas nunca posto em prática. Para os partidos, a prática está no cotidiano, no discurso de que saúde, educação e segurança são obrigação do Estado, e que são as agremiações políticas que possuem os quadros competentes para a gestão. No processo de escolha, cabe ao eleitor decidir quem tem condições de conduzir o seu destino, optando pelo probo, pelo abnegado, rejeitando os individualistas e carreiristas. Aos políticos, cabem ser sinceros e dignos.

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