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PRESIDENCIALISMO DE ILUS�O

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Se estivesse entre nós, Ulysses Guimarães estaria completando 100 anos. Constataria, tristemente, que respeitosas unanimidades como ele não existem mais. Enquanto a gana antipetista caça até mesmo os mais probos e moderados esquerdistas, como Cristovam Buarque, os espectros da Lava Jato desmistificam até mesmo os falecidos, outrora incautos, como Sergio Guerra e Eduardo Campos. Contudo, mais do que com a derrocada dos ideólogos, personificada em José Dirceu, acredito que Ulysses sofreria mesmo com a contestação aberta de suas 2 maiores conquistas, a constituinte de 1988 e a eleição direta para presidente. O sonho de toda uma geração, de uma constituição cidadã, que revertesse as injustiças históricas e criasse um arcabouço de proteção para os mais pobres, é hoje apontada por muitos como a pedra fundamental do desastre brasileiro. Ao ser demasiadamente benevolente, teria lançado as bases para um Estado inchado e insustentável, uma âncora a frear o crescimento econômico nacional. Acima de tudo, porém, creio que se o helicóptero não o tivesse levado para os braços de Iemanjá, teríamos um abusado ancião, nos moldes do Niemeyer, firme em sua fortaleza de ideias, recusando-se honradamente a aceitar a mais triste realidade, que a escolha de presidente por voto direto era uma doce ilusão. Não custa lembrar que os milhões mobilizados naqueles anos não pediam eleições, pois essas já tinham sido restauradas. Exigiam apenas a escolha direta do chefe do executivo, que acontecia de forma indireta, como num regime parlamentarista. No fundo, aqueles corações inocentes acreditavam que poderiam perpassar o congresso, com suas centenárias raízes oligárquicas e que, talvez, se surgisse um santo carismático o suficiente, poderiam mudar o poder sem mudar o povo. A eleição de Lula foi a materialização do sonho presidencialista. A fantasia de que elegendo um único homem certo, poderíamos mudar um país com centenas de homens errados na Câmara e no Senado. Antes mesmo da desmistificação da criatura de Lula em si, a inevitabilidade do presidencialismo de coalizão e sua malfadada base de sustentação, mostraram que o sonho de Ulysses era uma utopia. Não mudaremos o Brasil sem mudar os eleitores. Sem educação, que na melhor das hipóteses requer 2 ou 3 décadas, continuaremos recheando o congresso com neo-coronéis, e é de lá, enfim, que emana o verdadeiro poder.

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