Opinião
Nordestinidade
Comemora-se neste sábado, 8, o Dia dos Nordestinos. A data foi criada no ano de 2009, em São Paulo, homenageando o centenário do nascimento de Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré, poeta popular, compositor e cantor cearense. Além disso, trata-se também de uma homenagem ao célebre Catulo da Paixão Cearense, maranhense de São Luís e autor da famosa música ?Luar do Sertão?. Região de contrastes, o Nordeste ainda se depara com problemas sociais históricos, tais como a pouca diversificação da agricultura e indústria, a má distribuição de terras e a concentração de renda, agravados pelo fenômeno natural da seca. Isso fez com que, durante muito tempo, a região sofresse um grande êxodo, em que milhares de nordestinos saíram de seus estados em direção ao Sudeste, em busca de uma vida melhor, como tão bem expresso nos versos de ?A triste partida?, escrita por Patativa do Assaré e musicada por Luiz Gonzaga. Nos últimos anos, entretanto, a região se consolidou como símbolo de um país em transformação. Com os bons ventos da economia e os investimentos feitos a partir do governo Lula, tornou-se conhecida como uma fonte de oportunidades, que gera empregos e atrai investidores nacionais e internacionais, sem mencionar nossas belezas culturais que encantam a todos que chegam até aqui. Esse ciclo de prosperidade ? interrompido pela desaceleração da economia nacional ? provocou uma grande transformação socioeconômica em toda a região, embora não tenha sido capaz de eliminar os bolsões de miséria que ainda existem nem de mudar os indicadores sociais para números mais aceitáveis. Além dos problemas socioeconômicos, o nordestino ainda tem de lidar com o preconceito contra a região, muitas vezes retratada apenas como um lugar de atraso, seca e miséria. Em tempos de intolerância e de paixões políticas à flor da pele, esse problema ficou ainda mais evidente. O Dia do Nordestino é uma data simbólica, mas deve ser abraçada por todos aqueles que aqui nasceram ou que adotaram a região como sua segunda terra natal. É uma forma de declarar o amor e o orgulho pela nossa terra, sua diversidade cultural, belezas naturais e, principalmente, pelo seu povo, que persiste, luta e vence as dificuldades.