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Opinião

UMA HERAN�A CULTURAL A SER SUPERADA

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O apertadíssimo resultado no julgamento do Supremo, reafirmando a posição da Segunda Instância, questão consolidadíssima na América do Norte e Canadá, obriga-nos a refletir por que existem tantas diferenças econômicas e sociais entre aqueles países e a América Latina? Isso sempre foi assim, desde os descobrimentos e colonizações desses países? Muito pelo contrário: segundo David S. Landes, professor emérito de história e economia de Harvard e autor de ?Riqueza e a pobreza das nações?, as abissais diferenças de desenvolvimento entre os países da América Latina,os EUA e Canadá, advêm fundamentalmente dos modelos de civilização adotados em suas colonizações. Sanders demonstra que no século XVII os colonos norte-americanos eram os primos pobres em relação aos espanhóis e portugueses: não se poderiam comparar as florestas e pradarias da América do Norte com a prata e o ouro da Nova Espanha (México) e do Peru, ou as madeiras corantes, os diamantes e o ouro do Brasil. Mesmo em potencial agrícola a América Latina não perdia numa comparação, sobretudo em suas regiões temperadas. Enquanto os colonos ingleses lutavam pela sobrevivência num ambiente hostil, os espanhóis e portugueses exploravam as riquezas naturais latinas à exaustão, mas as minas se exauriram, e duzentos anos depois, quando os colonos americanos conquistaram sua liberdade, a América do Norte, mais rica em renda per capita, mais rica em sua distribuição mais equilibrada de riqueza, suplantava com larga margem as terras do sul. Na América Latina a independência não resultou de ideologia colonial e iniciativa política, mas de fraquezas e infortúnios de Espanha e Portugal no contexto das rivalidades e guerras europeias, e os herdeiros do poder nesses países promoveram desde século XIX o caudilhismo, seguido por constantes conspirações,cabalas, golpes, e governos ideológicos. Os países latino-americanos não tinham programa, portanto, nem visão de desenvolvimento econômico. Enquanto Alexandre Hamilton convocava uma jovem América para desenvolver a indústria e concorrer com a Europa, o Visconde de Cairu, no Brasil, ?acreditava supersticiosamente na ?mão invisível? e repetia ?laissez faire, laisser passer, laissez vendre?. A América Latina convive com o atraso promovido por parte de suas elites que fogem dos desafios políticos, sociais e econômicos que as nações do Norte enfrentaram e superaram: ainda acreditam que dinheiro-dá-em-árvore, assim querem manter privilégios e aposentadorias precoces, são refratários às reformas que nos aproximem do mundo desenvolvido, como a reforma da Previdência Social, Teto de Gastos públicos e ajuste fiscal. E um Judiciário forte, independente e purgador de ilicitudes, isso é intolerável...

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