Opinião
Desempregados e desanimados
Dados divulgados ontem pelo IBGE mostram que quase 18 milhões de brasileiros estão fora do mercado de trabalho, o que equivale a 10,7% da chamada população economicamente ativa, ou seja, pessoas em idade para trabalhar. O índice reflete a crise econômica do País, que atinge não apenas a população em busca de emprego, mas também desmotiva muitas pessoas a continuar procurando. Ou seja, além dos desempregados, temos também uma legião de desanimados. Para os economistas, as estatísticas demonstram não haver um indicativo de queda na taxa de desemprego em médio prazo e isso terá consequências muito mais graves, principalmente para os jovens que buscam entrar no mercado de trabalho. Se não conseguirem emprego nessa fase da vida, chegarão à idade adulta em desvantagem e com mais dificuldades de sucesso profissional. O desemprego só começará a cair quando o País voltar a crescer, mas o processo de retomada deverá ser lento. O mercado de trabalho ainda vai demorar algum tempo para se recuperar e voltar a contratar em razão do elevado nível de ociosidade produzido pelo segundo ano consecutivo de recessão. Projeções com base nas estimativas do mercado para o PIB apontam que só a partir de 2021 o Brasil deverá recuperar o nível de estoque de empregos formais do final de 2014. O governo federal aposta na PEC que congela os gastos públicos pelos próximos 20 anos, mas a medida é vista com desconfiança por alguns economistas. Além disso, há o receio de que agrave ainda mais os problemas sociais, especialmente nas áreas de educação e saúde. Não há dúvida de que é necessário melhorar as contas públicas, mas isso não pode ser feito à custa do corte de investimentos e na redução de recursos para programas que beneficiam diretamente a população mais vulnerável econômica e socialmente. É preciso gastar certo e com qualidade. Gastos públicos com pagamentos de juros e desonerações não geram empregos. É necessário gastar executando obras de infraestrutura, que geram muitos empregos. O papel do setor público no processo destinado a promover o ajustamento econômico deve ser o de garantir os investimentos através do remanejamento dos gastos em custeio e subsídios, sem abandonar os objetivos de redução dos deficit orçamentários.