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Em respeito aos mestres

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Comemora-se neste sábado, no Brasil, o Dia do Professor. A data remonta a 1827, quando o imperador D. Pedro I baixou um decreto que criou o Ensino Elementar no Brasil. Apesar de ser uma profissão cantada e decantada em prosa e verso, às vezes de forma piegas, e vista como um sacerdócio, nas últimas décadas foi sendo desvalorizada e desrespeitada de várias formas. Em todo o País, os professores, principalmente os da rede pública, sofrem com baixos salários, jornada excessiva, humilhações e falta de condições de trabalho. De modo geral, segundo o IBGE, a média salarial dos docentes da educação básica no Brasil equivale a pouco mais da metade da de outros profissionais com nível superior, como engenheiro civil e médico. Apesar de alguns avanços, o professor brasileiro continua muito mal pago, em comparação com seus colegas em outros países. Como se fosse pouco, as turmas são mais cheias, com mais alunos por professor, o que demanda mais tempo e atenção do profissional. Uma pesquisa feita em 2014 mostrou que cerca de 40% dos mais de 2 milhões de professores da educação básica no Brasil dão aulas em cinco ou mais turmas. E aproximadamente 20% deles ensinam em, pelo menos, dois estabelecimentos. Isso faz com que sobre muito pouco tempo para preparar suas aulas e fazer cursos de reciclagem. Sem falar nos danos à saúde, como depressão, esgotamento físico, problemas nas pregas vocais, tendinites e problemas de coluna. Por tudo isso, nos últimos anos constata-se que cada vez menos jovens querem ser professores. Segundo estimativa do Inep, apenas no Ensino Médio e nas séries finais do Ensino Fundamental o deficit de professores com formação adequada à área que lecionam chega a 710 mil, e o problema não é a falta de vagas nos cursos de Pedagogia, mas a falta de candidatos. Sem a devida valorização do professor, porém, jamais a educação chegará ao nível que atenda às necessidades do País. É necessário e urgente o estabelecimento de uma carreira atrativa, que estimule e incentive as pessoas a querer trilhar a formação em cursos de licenciatura. É necessário um salário inicial correspondente à média salarial dos demais profissionais e, ao longo dos anos, proporcionar uma progressão que incentive a permanência do docente na carreira. Ou seja, dar à profissão o devido respeito e a valorização que ela realmente merece.

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