Opinião
VALEU BOI!
O locutor anuncia o nome e o número de inscrição dos próximos vaqueiros; faz uma pequena referência sobre sua origem familiar, sua terra natal e habilidades em outras competições. Os garbosos cavaleiros dirigem-se, com seus belos animais da raça quarto de milha, para a pista. Os treinados cavalos são conduzidos à porteira da sangra. Os dois vaqueiros acalmam os ansiosos cavalos. O boi está no brete. Ele é grande e está indócil. A porteira é aberta, o boi sai. Cavalos e cavaleiros também. Emparelhados, assediam o boi levando-o para o local onde ele deve ser derrubado. O bate-esteira alcança o rabo do boi e, no momento certo, entrega-o ao vaqueiro puxador. O boi cai, mostra as quatro patas e levanta-se na faixa, o locutor exclama: VALEU BOI! enquanto os cavaleiros freiam os cavalos e saem contentes pelo êxito do feito. O boi é tocado para um curral. Vai se juntar a outros animais que já cumpriram seu papel de coadjuvante da festa. Esse é o ritual da vaquejada, esporte maior do vaqueiro nordestino. A vaquejada está na cultura do povo brasileiro, principalmente do nordestino. Movimenta mais de R$ 50 milhões por ano. Só perde financeiramente e em público para o futebol. As festividades começam sempre às sextas-feiras, é o treino. Vale pontuação só nas corridas do sábado e do domingo. São premiações valiosas para os competidores. O esporte gera milhares de empregos e diversão para um público fiel que gosta de ver pessoas destemidas e hábeis montarem belíssimos cavalos. À noite vão curtir músicas tocadas por bandas populares em grandes shows. O esporte do vaqueiro chamava-se originalmente ?pega de boi?. Os rebanhos dos coronéis eram criados soltos na caatinga. Quando havia necessidade de ?curar? o boi ou ferrá-lo, ele era derrubado e imobilizado. O vaqueiro, para isso, geralmente, promovia verdadeira correria com o cavalo, pela caatinga, por dentro de espinhos. Foi na década de 1940 que essa competição passou a ser praticada em pistas, construídas com a finalidade de ser um divertimento para os moradores das propriedades rurais. Assim passou a se chamar ?Corrida de Mourão?, um corredor feito por mourões e arame farpado. O nome vaquejada data da década de 1970, quando o esporte começou a se profissionalizar. O esporte tornou-se tão importante que já foi criada a Associação Brasileira de Vaquejada, onde existe o Regulamento Geral para disciplinar sua prática, principalmente no que diz respeito ao bem-estar dos animais, o controle e prevenção sanitário-ambiental e a prática higiênica sanitária e de segurança geral do evento. No que diz respeito à proteção animal as regras são enfáticas: proíbe qualquer maltrato proposital aos bois e cavalos. Proíbe uso de instrumentos cortantes que possam provocar qualquer sangramento nos animais. Também é proibido tocar o boi com equipamentos de choque. Além de ser necessário disponibilizar para os bois água e comida suficiente à sua manutenção. O peso da boiada dever ser acima de doze arrobas na fase de classificação e de dezesseis na disputa final. No meu entendimento a proibição da prática dos torneios esportivos das vaquejadas vai trazer grandes descontentamentos para os aficionados do esporte. Como reformular essa determinação? Vaqueiros, movimentem-se! Assim poderão comemorar. Valeu boi!