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Fome em grandes planta��es

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A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertou ontem para a urgência de ajudar o setor agrícola a adaptar-se às alterações climáticas, que poderão deixar mais de 122 milhões de pessoas na pobreza. Segundo a FAO, a menos que sejam tomadas medidas agora para tornar a agricultura mais sustentável, produtiva e resiliente, os impactos das alterações climáticas vão comprometer gravemente a produção alimentar em países e regiões que já enfrentam uma alta insegurança alimentar. O relatório sublinha que, se não houvesse alterações climáticas, a maioria das regiões deveria reduzir o número de pessoas em risco de pobreza até 2050. No entanto, com as mudanças no clima e se nada for feito, estima-se que entre 35 e 122 milhões de pessoas entrem para a faixa de pobreza. Isso se deve sobretudo aos impactos do aquecimento global no setor agrícola. A FAO alerta que os esforços têm de começar agora, porque os impactos das alterações climáticas só piorarão com o tempo e, se nada for feito, os países mais pobres terão, no futuro, de enfrentar simultaneamente a fome, a pobreza e as mudanças climáticas. Além dos efeitos negativos das mudanças climáticas na produção de alimentos, outro fator contribui para o aumento da pobreza: o desperdício de comida. Cerca de 30% de tudo o que é produzido no mundo é desperdiçado e perdido antes de chegar à mesa do consumidor. Isso provoca um prejuízo econômico estimado em US$ 940 bilhões por ano, o que corresponde a cerca de R$ 3 trilhões. Somente no Brasil, são desperdiçados 41 mil toneladas de alimentos todos os anos. A perda começa na colheita, na pós-colheita, durante a distribuição e também no final da cadeia, que é no varejo, no supermercado e com o hábito do consumidor. A Terra tem hoje cerca de 7 bilhões de pessoas, e a estimativa é que, em 2050, esse número chegue a 9 bilhões. Enquanto isso, aproximadamente 1 bilhão de pessoas não tem acesso adequado e sofre com desnutrição e falta de alimento adequado. Combater o desperdício de alimentos é uma necessidade urgente e que exige mudança de atitude. Precisamos ser mais eficientes no uso dos alimentos, mais cientes de que o desperdício é uma realidade e produz muitos efeitos colaterais. É necessário um forte engajamento da sociedade civil, dos produtores, dos governos e do cidadão, a partir de sua casa.

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