Opinião
O TRABALHO, A PREGUI�A E OS PRIVIL�GIOS
Nietzsche (1844-1900) foi um divisor de águas entre os filósofos que o precederam, principalmente por suas ideias antagônicas ao cristianismo, onde a questão da valorização do trabalho destacava-se. Nietzsche valorizava o labor, mas o seu Ubermensh (Super-homem) criava valores pessoais independentes dos tradicionais. Era superior, desenvolveria sua vontade, além do bem e do mal. Sua filosofia foi deturpada pelos nazistas para seus abjetos fins. É possível que a cultura nacional também tenha deturpado esse raciocínio de Nietzsche ao extremo,sendo incorporado por Mário de Andrade ao elaborar Macunaíma, o Herói sem Nenhum Caráter, cuja preguiça serviu de modelo para emular o caráter da malandragem brasileira. Esse grupo adepto da preguiça e das vantagens à custa dos cofres públicos sangra o País desde sempre, não só na corrupção, como nas estatais, como a Petrobras, onde como marajás, além de ganharem salários elevadíssimos, muito acima do pago pelo mercado, aposentam-se precoce e graciosamente, sem as mínimas justificativas. E ainda dizem, desavergonhadamente, que a Petrobras é patrimônio do povo... Coitado do povo. O Brasil vicioso, da deturpação da filosofia de Nietzsche, sendo majoritariamente adepto do cristianismo, deveria seguir os ensinamentos do apóstolo São Paulo, quando na Segunda Epístola aos Tessalonicenses afirmou ?Se alguém não quer trabalhar, não coma!? Mas o que se vê é uma obsessão nacional das corporações, sindicatos e de funcionários públicos privilegiados (que jamais passam pelo indescritível estresse de serem demitidos) de resistirem tanto às reformas essenciais, com a da Previdência Social, como ao controle de gastos públicos. Essa arraigada cultura de privilégios usufruída por categorias e grupos privilegiados, entre os quais os políticos e suas mordomias, configura um abuso inominável, uma afronta intolerável para a grande maioria que trabalha a vida inteira em empresa privada, em empregos extenuantes, inseguros e mal pagos ? e o que se dirá dos milhares de desempregados? Finalizando, com mais de 40 anos de exercício da Medicina, convivo com colegas que estão até a mais tempo labutando diariamente, em jornadas extremamente desgastantes, muitos deles, idosos, deslocam-se diariamente para o interior do Estado, para poderem complementar suas rendas e pagar as suas contas, e a cada dia são cidadãos mais dignos e mais honrados, mas também mais indignados.