Opinião
Cidades inchadas
Projeção feita pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Urbanos, o ONU-Habitat, aponta que, no ano de 2030, mais de 90% da população brasileira estará vivendo em cidades. A entidade ressalta que o Brasil está localizado no continente mais urbanizado do mundo, a América Latina, e se configura atualmente como o País mais urbanizado da região. Dados do último recenseamento realizado pelo IBGE em 2010 indicam que 84,4% da população brasileira é urbana. A previsão é que, em 2030, esse índice chegue a 91,1%. A urbanização é vista muitas vezes como uma oportunidade e uma espécie de motor para o desenvolvimento, mas, por outro lado, traz grandes desafios, como problemas de ordem econômica e ambiental, expansão desordenada, segregação socioeconômica e questões relacionadas a saúde, segurança e efeitos da mudança climática. Nos países desenvolvidos, a urbanização ocorreu gradualmente. Já os países em desenvolvimento, como o Brasil, não têm esse luxo e enfrentam uma migração rápida. Na grande maioria das metrópoles brasileiras, a ausência de planejamento urbano resultou em uma série de complicações, como a ocupação irregular dos espaços ambientais e frágeis; a ausência de serviços de água e esgoto e do tratamento de resíduos sólidos; e a falta de mobilidade e transportes urbanos. Veja-se, por exemplo, o caso de Maceió. Com a crise do setor sucroalcooleiro na década de 1980, que provocou o fechamento de diversas usinas no interior do Estado, milhares de famílias se viram obrigadas a tentar a vida na capital alagoana, que, num período de 30 anos, viu sua população dobrar de tamanho. O resultado foi o aumento da favelização, com suas habitações precárias em grotas e encostas, e da desigualdade social, em que bolsões de miséria contrastam com áreas que possuem indicadores sociais de países desenvolvidos. O grande desafio para o poder público é buscar alternativas para oferecer moradia digna, transporte público, empregos, infraestrutura básica e serviços necessários para apoiar as crescentes populações urbanas. Acertar esse processo de urbanização é essencial para conquistar um crescimento sustentável e exige dos gestores maneiras inovadoras de financiar a infraestrutura.