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UM TURNO A MAIS

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Nas últimas eleições municipais, em 2012, houve segundo turno em 50 dos 5.568 municípios brasileiros. Agora, em 2016, eleitores de 55 cidades voltarão às urnas, no próximo 30, para escolher entre dois candidatos quem será prefeito. Os números apontam uma tendência conservadora por parte do eleitorado e indicam que o segundo turno ? que ocorre em municípios com mais de 200 mil eleitores ? não provoca grandes sobressaltos democráticos. Ali estão os mais aptos, como numa final de campeonato (antes da instituição dos pontos corridos), sem possibilidade de empate: o vencedor leva tudo. Talvez por isso, a campanha esteja tão acirrada, com candidatos trocando ofensas em debates ou pelas redes sociais. Chega um momento em que o importante não é a propositura, mas sim desqualificar o adversário. Há um subterrâneo de gravações escusas, vídeos deploráveis, fotos assustadoras proliferando nas entranhas do País, o que não é bom para a democracia. O eleitor há de se perguntar: quem age assim será capaz de exercer o cargo com isenção? Curiosamente, o mesmo vem ocorrendo nos Estados Unidos, o país mais poderoso da Terra, onde Hillary Clinton e Donald Trump protagonizam uma campanha temperada por escândalos sexuais, ofensas racistas e espionagem pessoal. O mundo assiste estupefato e temeroso. Afinal, um dos dois vai ter nas mãos o maior arsenal nuclear do planeta. Diante disso, como o torcedor que se recusa a torcer, já que seu time não está na final, muitos eleitores têm preferido se manter à margem do processo, o que não é a atitude mais sensata a tomar frente a um quadro de incerteza. Faltam poucos dias para o click decisivo nas urnas. Cabe a todos, nesta reta final, repudiar as denúncias sem base e cobrar dos candidatos o que eles realmente pretendem fazer em prol do município. A democracia se mostrou, até o momento, o melhor sistema político gestado pela humanidade. Há imperfeições, várias, mas é imperioso aprimorá-la agindo proativamente, e não contribuindo para conspurcá-la com ações que beiram o terrorismo moral. Por trás da foto que aparece quando o eleitor digita o número do candidato na urna eletrônica, há um passado que deve referendar o futuro. Essa premissa é fundamental para definirmos quem queremos comandando os destinos da nossa cidade. Vamos, então, nos ater ao que resulta de bom de todo esse processo. Esse é o pleno exercício da democracia.

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