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Opinião

Ainda nas alturas

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Pela primeira vez em quatro anos, o Banco Central (BC) baixou os juros básicos da economia. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu hoje (19) a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. A decisão era esperada pelos analistas financeiros e resulta principalmente do enfraquecimento da atividade econômica, combinada com uma menor pressão inflacionário. Indicadores econômicos divulgados recentemente sustentam essa avaliação. As vendas ao varejo, por exemplo, apresentaram queda de 0,6% em agosto ante julho. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, a contração foi maior, de 5,5%. O percentual de redução, entretanto, foi considerado tímido. Mesmo com a decisão, o País continua praticando os juros reais mais elevados do mundo. Remédio adotado para conter a inflação, os juros altos têm efeitos colaterais graves: inibem os investimentos das empresas privadas, aumentam os gastos do setor público com pagamento da dívida, reduz o poder de compra das famílias e favorecem o endividamento dos consumidores. Para os economistas, um conjunto de fatores explica taxas de juros tão elevadas, começando pelo gasto público excessivo, que força o governo a tomar muito dinheiro emprestado no mercado, aumentando a procura por dinheiro. Há também a carga tributária elevada sobre operações de crédito e sobre os lucros bancários. Outro fator são os elevados depósitos compulsórios que os bancos precisam manter, reduzindo o dinheiro disponível para empréstimos. Por último está a grande concentração de mercado em poucos bancos, limitando a competição. Os bancos, por sua vez, alegam que a principal razão das altas taxas é o fato de o spread bancário (diferença entre a captação e as taxas praticadas dos empréstimos pelas instituições financeiras) ser alto. Espera-se que essa redução marque o início de um novo ciclo de juros mais baixos, como ocorreu a partir do governo Lula e foi interrompido na segunda metade do governo Dilma, quando a inflação voltou a preocupar. A provável aprovação da chamada PEC do teto de gastos é mais um motivo para que a taxa caia ainda mais, pois não adianta o governo querer frear os gastos se continuar a pagar juros tão altos. É um alívio do qual a população também vai se beneficiar.

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