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Opinião

NINGU�M EM QUEM VOTAR

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A inesperada vitória em primeiro turno de João Doria, em São Paulo, é a marca de uma tendência. Não é de hoje que candidatos não identificados como políticos tradicionais se beneficiam em momentos de crise. A suposta pecha de gestor (autoconcedida) atraiu um eleitorado cansado das negociatas e da costumaz má gestão pública. A preferência pela ?eficiência empresarial? foi tão grande que permitiu, mesmo em tempos de Lava Jato, ignorar que o empresário representava o partido no poder estadual há 20 anos, com seu vasto passivo de desvios milionários. A capital fluminense é outro exemplo cristalino. O candidato da situação foi rejeitado com veemência por representar a oligarquia peemedebista que arrasou com o estado. Sobraram o candidato evangélico da direita e o esquerdista do PSOL. Marcelo Freixo se tornou notório pelo combate a corrupção nas corporações cariocas, conseguindo consolidar uma imagem de outsider necessário, alguém que chegaria para combater o ?sistema?. Terminou o primeiro turno com expressiva votação, em segundo lugar. Contudo, as primeiras pesquisas mostraram que sua votação no segundo turno era, surpreendentemente, menor do que a do primeiro! O que aconteceu? É a mesma maldição que atinge Marina Silva e tantos outros esquerdistas a cada eleição, que convencem para o legislativo, mas não emplacam para o executivo. As pesquisas mostram que o eleitorado mais jovem se identifica com posições menos conservadoras, mais libertárias em assuntos como drogas e homossexualidade. Porque, então, o mundo vem se entortando para a direita? Porque Freixo e Marina são abandonados na hora h? A explicação é muito simples. O eleitor já aprendeu há muito tempo que a política econômica estatizante é uma bomba relógio que não tarda a explodir. Lula se elegeu com uma carta jurando que tinha entendido isso. Dilma caiu quando fingiu-se de desentendida. Toda uma nova geração anseia por representatividade. O Brasil e o mundo precisam urgentemente do surgimento da corrente política biliberal, se me permitem a invenção do termo, com ideias liberais tanto em costumes como em economia. Enquanto esse vácuo não for preenchido, sobraram para escolher a direita conservadora e a esquerda presa aos erros econômicos do século XX. É esse cenário infértil a causa da escalada de abstenções e que pode elevar alguém como Donald Trump ao posto mais poderoso do planeta.

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