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O mapa de setembro do Monitor de Secas do Nordeste do Brasil mostra que os cenários de seca extrema e seca excepcional cresceram na região, abrangendo partes de todos os nove estados. Em relação ao mesmo período do ano passado, o quadro se agravou de forma significativa na região. Em setembro de 2015, o Maranhão, por exemplo, possuía áreas de seca grave, moderada e fraca. O mapa de setembro deste ano mostra grande parte do território do estado com seca extrema. O avanço da intensidade de seca mais severa tem atingido até regiões litorâneas que, geralmente, são mais beneficiadas com chuvas. A seca atual que aflige o Nordeste teve início em 2012 e se intensificou desde então. Ela já dura cinco anos, deve entrar pelo sexto ano consecutivo e é considerada a mais severa em várias décadas. A intensidade e a persistência da atual estiagem podem ser indícios de que as mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global já começam a cobrar sua fatura. Por outro lado, a seca é um fenômeno natural no Nordeste. Há relatos da sua incidência desde o século 16, ou seja, desde o início da colonização do País. O clima hoje é semiárido, mas no futuro poderá não ser mais. O fenômeno é sempre sinal de sofrimento para o povo sertanejo, mas também movimenta o meio político e o comércio das cidades atingidas pela estiagem. A chamada ?indústria da seca? fatura alto com a falta de alimentos para os animais e de água para os moradores. O exemplo mais conhecido no Sertão nordestino é o uso político na distribuição dos carros-pipa, marca registrada do assistencialismo simples. Investimentos necessários para minimizar o problema, como poços, barragens e cisternas, não foram feitos a contento ao longo dos anos, o que só fez facilitar a política assistencialista, já tão arraigada na cultura local. O paradoxo é que a região possui uma grande quantidade de água, suficiente para abastecer sua gente. Segundo estudiosos, o Nordeste é detentor do maior volume de água represado em regiões semiáridas do mundo. São 37 bilhões de metros cúbicos, estocados em cerca de 70 mil represas. Ou seja, a água existe, mas falta aos nordestinos uma política coerente de distribuição desses volumes, para ao atendimento de suas necessidades básicas.

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