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O recado que vem das urnas

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Encerrado ontem à noite, o processo eleitoral de 2016 revelou muito mais do que nomes de prefeitos eleitos para administrar os municípios brasileiros nos próximos quatro anos. Na radiografia das urnas, o retrato da insatisfação e da descrença do eleitor diante de um momento tão conturbado que vive o País revelou-se muito mais em números do que em nomes. As abstenções, votos nulos e brancos aumentaram bastante em relação à eleição anterior. Isso, se não for uma demonstração de protesto, é, no mínimo, a confirmação do crescimento do desinteresse do eleitor no processo. E nem precisa ir muito longe. Basta observar os números da eleição em Maceió, a única cidade alagoana que teve 2º turno. Ontem, dos 579.961 eleitores aptos a votar, 115.787 (cerca de 20%) não compareceram. Quase 3% a mais de abstenções do que foi registrado no 1º turno, quando 99 mil eleitores (17%) deixaram de comparecer. E mesmo entre os que saíram de casa para votar, muitos preferiram anular ou votar em branco. Somando os números de abstenções, votos nulos e brancos, no 2º turno das eleições de Maceió, temos um percentual de mais de 33% de eleitores (quase 180 mil) que preferiram não dar seu voto a ninguém. No 1º turno, esse percentual somou 29,5% (pouco mais de 159 mil eleitores que não votaram em ninguém). No Brasil, o número de abstenções neste 2º turno foi de 21,5%, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), totalizados ontem à noite. De 32,9 milhões de eleitores aptos a votar, nas 57 cidades onde houve eleição, apenas 25,8 milhões compareceram às urnas. Ou seja, cerca de 7 milhões não votaram. A situação mais alarmante aconteceu no Rio de Janeiro ? capital ?, onde o índice de abstenções chegou a 26,85% do eleitorado (1,3 milhão de faltosos). E dos que compareceram, 15,9% (569,4 mil eleitores) anularam o voto. A situação foi tão crítica na capital carioca que a soma de votos nulos e abstenções é maior que a votação obtida pelo candidato Marcelo Freixo (PSOL), que teve 1,1 milhão de votos; e chegou perto da votação do prefeito eleito, Marcelo Crivella (PRB), que recebeu 1,7 milhão de votos. Isso sem contar os votos brancos, que somaram quase 150 mil. Na verdade, essa soma de abstenções com votos brancos e nulos ?venceu? o 2º turno da eleição em alguns municípios do Rio. Que essa mensagem das urnas ecoe pelo Brasil afora; seja lida, ouvida e compreendida pelos prefeitos eleitos, que em 1º de janeiro de 2017 assumem o destino dos municípios brasileiros. O recado foi dado.

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