Opinião
ENFIM, ACABOU
Já vimos de tudo em campanha eleitoral. Nossa atividade profissional nos proporcionou a chance de vivenciar e participar nos bastidores de estratégias de comunicação nos anos oitenta e especial em 1986, quando polarizaram Guilherme Palmeira e Fernando Collor numa acirrada disputa para o Governo de Alagoas. Uma campanha agressiva, tensa, em que disputavam dois candidatos de indiscutível apelo popular apoiados por fortes grupos políticos e empresariais. Guilherme buscava o segundo mandato como governador. Seu passado político referendava a candidatura pela ilibada conduta no currículo de homem público simples que pautou a vida com transparência, honestidade, leal aos amigos e comprometido com o desenvolvimento do seu Estado. Fernando, aos 37 anos, surgia como um furacão, relevando-se uma nova liderança inteligente, combativo, vindo de dois importantes mandatos: Prefeito de Maceió e o mais votado Deputado Federal em 1982. Venceu Collor com 53% dos votos. No contexto geral, as campanhas tinham cores domésticas estrategicamente pensadas por coordenadores conhecedores das demandas, anseios e problemas, carências e miséria que, infelizmente, avançam pela periferia das cidades, principalmente na capital. É um interminável desafio que perdurará por longo tempo para gestores que quase nada investem em políticas públicas. Num planejamento de marketing para vender a imagem de um produto é preciso provar a sua eficácia, seus diferencias positivos, suas propostas de inovação e custo-benefício. No marketing político a sedução do voto, hoje muito mais que ontem, exige respeito e uma linguagem decente ao invadir a privacidade doméstica pelo rádio e televisão. O novo eleitor está cada vez mais crítico e profundamente pessimista com relação ao velho modelo dos políticos. A sucessão de escândalos e corrupção que o País assiste faz com que as pessoas não se sintam representadas por aquele que elegeu em outro tempo. Nos redutos mais humildes, a informação chega com a mesma velocidade de todos os lugares. Já não é tão fácil enganar o eleitor com a divulgação repetitiva e chata de imagens de miséria, lama, buraco, fila em postos de saúde. Ricos e excluídos sabem que o problema é crônico e os que acusam hoje também não resolveram no passado. A eleição de 1986 teve, sim, muita troca de farpas e acusações de lado a lado, mas o Collor se elegeu porque sua equipe teve competência para vender a sua imagem. Sua juventude empolgou o eleitorado como uma espécie de grito de esperança pela renovação e mudança de um novo tempo. Guilherme obteve o segundo lugar com uma expressiva votação por sua história de relevantes serviços prestados aos alagoanos. O povo está cansado de baixaria nos horários do guia eleitoral. Mentiras, plágios grosseiros, descaracterização de candidato, aquilo que só os fanáticos aplaudem. Para conquistar a preferência do eleitor é próprio dos incompetentes desprovidos de argumentos e propostas claras apelarem para golpes baixos como desconstruir o adversário transformando-o na ?Geni?. Pena que alguns candidatos ainda embarcam nessa lambança. Os números das urnas nesta eleição no Brasil são a maior resposta para os que ainda não entenderam que a mudança já começou.