loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

A FOR�A DA LITERATURA INFANTOJUVENIL

Ouvir
Compartilhar

Um livro destinado às crianças jamais deve demonstrar fraqueza, falta de poeticidade e riqueza literárias. Infelizmente, observamos um filão de livros infantojuvenis que não impulsionam o caráter lúdico das crianças e jovens. A literatura para os pequenos acabou seguindo os mesmos padrões da literatura adulta, ou seja, a lei do mercado, da literatura fácil, cheia de obviedades. A literatura tem de problematizar, levar a reflexões, e isso deve surgir desde a infância. Os pequenos têm de desenvolver suas potencialidades imaginativas sendo aceleradas à medida que eles crescem. Quando jovens, encontramos a fase de transição para a vida adulta, e à literatura cabe o papel de transformação, de indagação face aos problemas do mundo. Deve revelar a beleza, a magia, mas também as doses de ironia juntamente com a leveza do poético. Porque a poesia não está só nos versos, também está na prosa. Ambos se misturam. Esta é uma visão tradicionalista, ver o texto somente por uma face. E a outra, a do enigma? Podemos nos reportar ao texto ?Pausa?, de Mario Quintana, em que este revela que o escritor tem de lançar desafios ao leitor, provocar enigmas. E o que temos? Uma enxurrada de clichês e lugares-comuns que não satisfazem a potencialidade do literário, este sim criador das imagens vibrantes, ricas e impactantes. Aprendi com um professor de Filosofia que, para o texto literário demonstrar sua riqueza, deve revelar imagens inusitadas e não esperadas, sugerir e não esclarecer. Após suas palavras, mudei o jeito de escrever, não seguindo as linhas mais básicas da vida, como vestir uma simples camiseta. Preferi optar por costurar os véus da admiração filosófica, o espanto e a surpresa de que tantos filósofos falaram, o ?thauma? dos pensadores. Do simples, do corriqueiro, do cotidiano, o escritor pode construir o sublime, o grandioso, o monstruoso, que é a própria força do literário unido ao dom de ?enigmar?, pois a literatura não pode estar separada da filosofia, sua prima em indagações. É preciso construir uma geração de pequenos questionadores. Cabe ao escritor tirar do mais simples o original, novo e enigmático. Portanto, a literatura infantojuvenil tem de tirar esSa fraqueza dos pequenos, seus mimos, seus doces facilitadores e incutir neles a força da inventividade poética para saírem de sua fase de sonolência para o acordar das questões e das criações, sendo eles mesmos uns inventores de mundos possíveis e impossíveis.

Relacionadas